O Brasil mantém a primeira posição global no ranking de juro real, atingindo a marca de 9,05%, o que supera em mais de sete vezes a média internacional de 1,27%. O levantamento foi divulgado nesta semana pela consultoria Moneyou, avaliando 40 nações após descontar a inflação oficial de cada território.
Com esse patamar, o país fica à frente de economias emergentes como Turquia, Argentina, Rússia e Colômbia. Na lista dos líderes, a Turquia aparece em segundo lugar com 7,77%, seguida pela Argentina com 6,80%, Rússia com 6,57% e Colômbia registrando 4,05%.
No estudo anterior da mesma consultoria, em setembro, o índice brasileiro já figurava no topo, mas em um patamar inferior, na casa dos 8,45%. A taxa básica de juros, a Selic, é a principal ferramenta empregada pelo Banco Central para conter o avanço inflacionário no país.
Impacto nas contas públicas
A manobra na política monetária ocorre logo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidir, por unanimidade, interromper o ciclo de flexibilização monetária e manter a taxa básica estacionada. O colegiado apontou um cenário de incertezas e desancoragem nas expectativas de preços.
Especialistas e representantes do setor produtivo criticam a postura da autoridade monetária. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a manutenção como um peso excessivo para o orçamento das famílias e para o desempenho das empresas nacionais.
O impacto financeiro também atinge diretamente as contas do governo. Dados do Banco Central indicam que a despesa com a dívida pública consumiu mais de R$ 1,1 trilhão no acumulado de doze meses, pressionando o indicador fiscal perante o Produto Interno Bruto (PIB).