Aguarde, carregando...

Terça-feira, 02 de Junho 2026
Direitos Humanos

Caso Henry: Monique Medeiros suspeita de ter sido dopada no dia da morte do filho

Ré no julgamento do assassinato de Henry Borel, Monique Medeiros prestou depoimento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e apresentou novas alegações.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Caso Henry: Monique Medeiros suspeita de ter sido dopada no dia da morte do filho
© Tomaz Silva/Agência Brasil
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A professora Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, declarou nesta terça-feira (2) que suspeita ter sido dopada na data em que seu filho foi assassinado, em março de 2021. Ré no processo que apura o crime, ela apresentou seu depoimento no nono dia do júri, realizado no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).

Monique e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, são os principais acusados pela morte da criança. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) alega que Jairinho torturava o enteado, enquanto Monique teria sido omissa em seu dever de proteger o filho.

Durante o depoimento, Monique Medeiros afirmou que, na época, não imaginava que Dr. Jairinho pudesse cometer agressões contra o menino. Atualmente, contudo, ela considera haver indícios suficientes para crer que Jairinho tenha sido o responsável pela morte de Henry.

Publicidade

Leia Também:

“Pode ser muita burrice, mas em nenhum momento pensei que ele pudesse fazer qualquer tipo de agressão ao meu filho”, declarou Monique, em resposta a questionamentos da juíza Elizabeth Machado Louro, que preside a sessão no 2º Tribunal do Júri.

No início de sua fala, Monique descreveu a relação de Jairinho com ela e com Henry como inicialmente boa. Contudo, ela admitiu que o então namorado possuía um temperamento ciumento e que, aproximadamente um mês após o início do relacionamento, sofreu uma tentativa de estrangulamento por parte dele, em uma "crise de ciúme mais grave".

O relacionamento começou em outubro, e Monique passou a morar com Jairinho em janeiro. Ela relatou que, no final daquele mês, Henry se queixou ao pai, Leniel Borel, de ter recebido um "abraço forte do tio". Esse episódio levou Leniel a conversar com Jairinho e solicitar que ele evitasse tais gestos.

Monique mencionou que, a pedido de Leniel, passou a intervir para que Henry não ficasse sozinho com Jairo. Ela também relatou que, em outra ocasião, mesmo com ela presente em casa, Henry a procurou para contar que Jairinho lhe havia dado uma "banda" (rasteira) e uma "moca" (soco na cabeça).

Ao ser confrontado, Jairinho negou as agressões, alegando que era apenas uma brincadeira e que segurou o menino para evitar que ele caísse. Segundo Monique, o então vereador também a acusou de mimar o filho, dizendo que ele "viraria veadinho".

Monique afirmou que Jairinho prometeu que o comportamento não se repetiria. Ela observou que, a partir desse episódio, a criança passou a se distanciar de Jairo.

Visivelmente emocionada em diversos momentos do depoimento, Monique rebateu o testemunho da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, que afirmou ter sido avisada sobre uma agressão de Jairinho a Henry no dia 2 de fevereiro. A babá havia prestado depoimento no júri no domingo anterior.

“Ela falou que contou no mesmo dia, é mentira! Se tivesse contato, eu nunca deixaria os dois juntos", declarou Monique durante o júri.

Versão sobre mensagens com a babá

Monique Medeiros apresentou sua versão sobre a troca de mensagens em 12 de fevereiro com a babá, referente a suspeitas de novas agressões por parte de Jairinho. Ela relatou ter se surpreendido com a chegada antecipada do namorado em casa e afirmou ter agido para evitar que ele ficasse sozinho com Henry.

Ao receber mensagens da babá indicando que o menino estava no quarto com Jairinho, Monique disse ter ficado "apavorada", temendo que o padrasto agisse de forma mais severa com a criança.

“Em nenhum momento achei que meu filho tinha sido agredido. Não queria que ele se comunicasse da forma rígida que ele era”.

Durante a comunicação via mensagens, ela pediu à babá que interviesse e levasse Henry para a brinquedoteca ou para o shopping onde ela se encontrava.

Em uma das mensagens, a babá informou que o menino havia saído do quarto e "estava bem". Em seguida, relatou que a criança reclamava de dor no joelho e na cabeça. Monique recebeu um vídeo do menino, mas afirmou não ter notado que ele mancava.

“Hoje acredito que houve, sim, alguma coisa com o meu filho dentro do quarto”.

Em outra mensagem, a babá contou que Henry relatou ter levado uma "banda" e um chute, e que foi instruído a não contar à mãe, sob pena de Jairinho "ir pegá-lo".

Pouco depois, o próprio Henry participou de uma ligação de vídeo com a mãe, relatando que "o tio tinha brigado com ele" e que ele atrapalhava o relacionamento do casal.

Monique relatou que, antes de deixar o shopping, comprou câmeras de vigilância com a intenção de instalá-las no apartamento.

A professora acrescentou que, no dia seguinte, ela e Jairinho levaram Henry a um hospital, onde um raio-x constatou que não havia lesões no joelho.

Apagamento de mensagens

Em outro ponto de seu depoimento, Monique Medeiros assegurou que não instruiu a babá Thayná a apagar as mensagens trocadas entre elas.

“Eu tenho prova de que não mandei ela apagar as mensagens. Por que eu mandaria apagar, se eu tinha os prints no meu telefone?”, questionou no júri.

Segundo Monique, a ordem partiu da família de Jairinho. Ela contextualizou que diversos membros da família da babá eram empregados da família de Jairinho, citando um tio que seria motorista do Coronel Jairo, pai do ex-vereador.

Dia da morte de Henry

Na madrugada de 8 de março de 2021, data do crime, Monique Medeiros contou que Henry dormia no quarto do casal, enquanto ela e Jairinho estavam em outro cômodo. Ela suspeita que o então namorado lhe administrou medicamentos para dormir, prática que, segundo ela, já havia presenciado em outras ocasiões.

De acordo com Monique, Jairinho utilizava essa prática "para que ela não conversasse com outros homens enquanto ele estava dormindo".

Monique narrou ter sido acordada por Jairinho por volta das 3h40. Ele teria informado que ouviu um barulho e, ao verificar o quarto, encontrou o menino no chão, recolocando-o na cama. Jairinho repetia que Henry não estava respirando adequadamente.

O casal se dirigiu ao hospital. Lá, o ex-vereador reiterou ter ouvido um barulho. No hospital, Monique endossou a versão do namorado, mas, em seu depoimento atual, admitiu à juíza que não havia ouvido nada.

Ausência de marcas físicas

No hospital, Monique descreveu o início de "um pesadelo", referindo-se a duas horas e meia de manobras de ressuscitação. Ela relatou que o menino chegou ao hospital "branquinho", sem marcas ou lesões aparentes.

“Na minha cabeça, como não tinha nenhum sinal, então, só podia ser uma queda da cama”.

Durante o depoimento, a mãe de Henry Borel afirmou que, na época dos fatos, não havia conhecimento público sobre outras denúncias de agressão a crianças por parte de Jairinho.

Na quinta-feira anterior, duas ex-namoradas de Jairinho prestaram depoimento, confirmando denúncias de agressão contra duas crianças.

Monique Medeiros declarou que, poucos dias antes de sua prisão e da de Jairinho, em 7 de abril de 2021, confrontou o ex-companheiro.

“Eu realmente dei alguns tapas no rosto dele e falei ‘você matou meu filho’”. Em resposta, ele teria pego uma bíblia e jurado nunca ter encostado um dedo em seu filho.

Ela atribuiu a Jairinho o arremesso dos celulares do casal pela janela quando investigadores foram ao apartamento. "Eu estava dormindo", justificou.

Questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro se Jairinho era o responsável pela morte de Henry Borel, Monique Medeiros respondeu: “Acho que pode ter sido”.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
WhatsApp Opina News
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR