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Sábado, 02 de Maio 2026
Economia

Chuvas intensas impulsionam alta nos preços do feijão e da cesta básica

A valorização do feijão, do tomate e das carnes foi crucial para o aumento dos custos. Em uma análise anual, que abrange 17 capitais, 13 cidades registraram elevação.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Chuvas intensas impulsionam alta nos preços do feijão e da cesta básica
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Os custos para a aquisição dos itens essenciais da cesta básica registraram elevação em todas as 27 capitais brasileiras, conforme levantamento conjunto do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). São Paulo mantém o patamar mais elevado, com a cesta avaliada em R$ 883,94, enquanto Aracaju apresenta o menor valor, com uma média de R$ 598,45.

Entre os alimentos que mais contribuíram para essa alta estão o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite, todos com incrementos significativos. Os três primeiros foram particularmente impactados pelo volume excessivo de chuvas nas principais regiões produtoras. Em contrapartida, o açúcar registrou uma redução no custo médio em 19 cidades, reflexo de uma oferta abundante no mercado.

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos destacou as cidades com os aumentos mais notáveis: Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%). Em termos de valores nominais, além da capital paulista, destacam-se Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40), Florianópolis (R$ 824,35) e Campo Grande (R$ 805,93), com as demais capitais apresentando médias abaixo dos R$ 800.

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Considerando o salário mínimo atual de R$ 1.621,00, um trabalhador nessas cidades necessita dedicar aproximadamente 109 horas de trabalho para cobrir o custo da cesta básica. Embora ainda seja um período extenso, esse valor representa uma leve queda em relação à proporção da renda exigida no ano anterior.

Ao comparar o custo da cesta com o salário mínimo líquido – após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social – percebe-se que, em março de 2026, o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em média, 48,12% de sua renda para adquirir os produtos alimentícios básicos, um aumento em relação aos 46,13% registrados em fevereiro. Em março de 2025, a média para as 17 capitais analisadas era de 52,29%.

O tempo médio de trabalho para adquirir os produtos da cesta básica foi de 97 horas e 55 minutos em março, um aumento em relação às 93 horas e 53 minutos de fevereiro. Comparado a março de 2025, quando se considerava o conjunto restrito de 17 capitais, a jornada média era de 106 horas e 24 minutos.

O estudo também revela que, nos últimos 12 meses, houve alta em 13 das 17 cidades monitoradas anualmente e queda em quatro delas. Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%) registraram os maiores aumentos, enquanto Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%) apresentaram as principais reduções. A comparação anual é limitada a 17 capitais devido à metodologia do Dieese, que não realiza levantamentos mensais em Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, São Luís e Teresina.

Impacto das chuvas na produção

O levantamento indica que o preço do feijão aumentou em todas as cidades. O feijão-preto, pesquisado nas regiões Sul, Rio de Janeiro e Vitória, teve elevações que variaram de 1,68% em Curitiba a 7,17% em Florianópolis. Já o feijão-carioca, coletado nas demais capitais, registrou aumentos entre 1,86% em Macapá e impressionantes 21,48% em Belém. A alta generalizada do grão é atribuída à restrição da oferta, dificuldades na colheita, redução da área plantada na primeira safra e a expectativa de uma produção menor na segunda safra.

Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), esclareceu que “quando se observa um aumento de preços, tende-se a pensar que os produtores estão lucrando mais, mas nesses casos, menos produtores têm o produto e podem estar vendendo por mais. Contudo, o que ocorreu bastante neste ano é que quem plantou, por exemplo, 60 sacas colheu apenas 30 ou 40. O clima prejudicou no Paraná e na Bahia, e temos uma área plantada menor”.

Lüders também mencionou que a produção em outras regiões, como Mato Grosso do Sul, enfrenta atrasos consideráveis, onde o excesso de chuvas encurtou a janela entre culturas e forçou a substituição por um tipo de feijão-preto voltado principalmente para o mercado indiano.

“Os números atuais não refletem nossa realidade; temos tido menos feijão-carioca, pois é um grão que o governo não garante preço, já que o preço mínimo existe para enfeite, o produtor não se beneficia em nenhum momento disso, e não há mercado externo”, explicou Lüders. Esses fatores resultaram em uma diferença significativa de preços entre o feijão-carioca e o feijão-preto, as variedades mais procuradas nos maiores mercados.

Atualmente, o feijão-carioca pode ser vendido a R$ 350 a saca, com a possibilidade de queda a partir de agosto, setembro e outubro, período da colheita da safra irrigada. O feijão-preto ainda mantém um valor mais favorável, em torno de R$ 200 a R$ 210 a saca, devido aos estoques consideráveis das duas colheitas de 2025. No entanto, esse excedente será pressionado, visto que houve pouco plantio na segunda safra, que ocorre no início do ano, e a cultura foi severamente impactada pelas fortes chuvas no Paraná. A expectativa é de uma inversão nos preços, com o feijão-preto se tornando mais caro que o carioca em 2026.

“Isso é terrível para os produtores. A exportação diminuiu em 2025, o que é cíclico. O estímulo para plantar o feijão-carioca é muito grande, e isso representa um risco, pois pode derrubar o preço”, complementa o analista.

A Conab estima uma produção superior a 3 milhões de toneladas, um avanço de 0,5% em relação ao ciclo 2024/2025. O impacto do aumento dos custos de fertilizantes e combustíveis ainda não foi totalmente sentido pelo setor, elevando a incerteza. Há uma expectativa de aumento global nos valores dos alimentos.

Salário mínimo ideal

O Dieese também calcula o valor ideal do salário mínimo. Para isso, considera a cesta básica mais cara, registrada em São Paulo, e os custos essenciais que garantiriam as necessidades constitucionais de um trabalhador e sua família: alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Em março, o valor necessário para uma família de quatro pessoas seria de R$ 7.425,99, equivalente a 4,58 vezes o mínimo vigente. Em fevereiro, o valor era de R$ 7.164,94, correspondendo a 4,42 vezes o piso. Em comparação com março de 2025, o mínimo necessário seria de R$ 7.398,94, ou 4,87 vezes o valor da época, que era de R$ 1.518,00.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Jeronymo - Repórter da Agência Brasil
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