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Segunda-feira, 27 de Julho 2026
Política

Defensores públicos pedem regras mais rigorosas para publicidade de apostas online

Especialistas alertam para o aumento do endividamento e transtornos mentais, clamando por maior controle na divulgação das 'bets'.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Defensores públicos pedem regras mais rigorosas para publicidade de apostas online
© Waldemir Barreto/Agência Senado
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Preocupados com o impacto do superendividamento e de transtornos mentais, especialmente entre populações de baixa renda, defensores públicos solicitam a implementação de regulamentações mais severas para a publicidade de plataformas de apostas esportivas e jogos de azar online, as chamadas 'bets'. O debate sobre a onipresença dessas propagandas ocorreu em audiência conjunta de comissões do Senado, evidenciando a urgência do tema.

A defensora pública Luciana Peles da Cunha, coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) da Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ), destacou a invasividade da publicidade das apostas. Segundo ela, os anúncios estão disseminados em diversos meios, como televisão, outdoors e, de forma proeminente, em dispositivos móveis, sem considerar o público exposto.

Além da superexposição, Peles da Cunha aponta para o conteúdo paradoxal das campanhas. "A publicidade massiva quer convencer o cidadão que jogo é uma oportunidade de ganhar renda extra. Eu nunca vi perder dinheiro como opção de renda", criticou, ressaltando que as propagandas tentam apresentar as 'bets' como um entretenimento inofensivo.

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Jogos de azar

A defensora enfatizou que a natureza dos jogos de azar é intrinsecamente arriscada. "Se o nome da coisa é jogo, o sobrenome é de azar", afirmou, defendendo a aplicação de restrições publicitárias semelhantes às impostas ao cigarro, proibidas desde 2000.

O defensor Público do Estado de São Paulo, Marcelo Dayrell Vivas, que também coordena a Comissão de Saúde da Associação Nacional das Defensoras Públicas e Defensores Públicos (Anadep), endossou a necessidade de medidas mais rígidas, considerando-a "essencial".

Vivas observou que o apelo das 'bets' tem gerado um aumento significativo na procura pelos serviços da Defensoria Pública e na demanda por atendimento de saúde mental. Ele avalia que o Estado brasileiro, desde a legalização das apostas em 2018, ainda não está estruturalmente preparado para lidar com essas novas demandas.

Ele sugere a criação de grupos especializados nos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) e a alocação de horários específicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para tratar a dependência de jogos, separando-a de outras dependências como crack e álcool.

O defensor também levantou a questão do acolhimento a pessoas que tentaram suicídio devido ao endividamento com jogos. "A pessoa que tentou praticar o suicídio terá internação. Mas que rede de saúde é essa que depois da alta vai receber e dar continuidade ao tratamento?", questionou, evidenciando lacunas no acompanhamento pós-alta.

Atividade capilarizada

Ione Amorim, economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), descreve o hábito de apostar em plataformas digitais como algo "capilarizado dentro da realidade das famílias". Ela acredita que a ampla disseminação das 'bets' dificulta o combate a essa atividade prejudicial à saúde financeira e psicológica dos lares brasileiros.

A economista espera que, caso medidas restritivas sejam adotadas, a sociedade civil e os consumidores sejam incluídos no debate sobre as políticas para as 'bets' e a publicidade de jogos de azar.

A legalização das apostas esportivas no Brasil ocorreu em 2018, com a conversão da Medida Provisória 846/2018 na Lei 13.756/2018. A regulamentação final veio com a Lei nº 14.790, sancionada no final de 2023, com as regras operacionais entrando em vigor a partir de janeiro de 2025.

Estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicam que os gastos dos brasileiros com plataformas eletrônicas ultrapassaram R$ 30 bilhões mensais entre janeiro de 2023 e março de 2026.

Segundo a CNC, essas apostas podem ter levado cerca de 270 mil famílias a uma situação de "inadimplência severa", caracterizada por atrasos de pagamento superiores a 90 dias, comprometendo a capacidade de honrar dívidas.

O impacto da inadimplência gerada pelas 'bets' no comércio varejista é significativo, totalizando R$ 143 bilhões, um valor comparável ao volume de vendas nos períodos de Natal de 2024 e 2025.

FONTE/CRÉDITOS: Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil
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