Nesta segunda-feira (09), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou a justificativa de sua política de tarifas comerciais durante uma alocução a parlamentares republicanos. Ao abordar os pactos estabelecidos com nações estrangeiras, resultantes da aplicação de impostos sobre bens importados, o líder republicano salientou que suas medidas se destacaram por serem atípicas no panorama político norte-americano.
Durante o encontro, Trump proferiu a declaração: “Não quero me gabar, mas nenhum outro presidente conseguiria fazer algumas dessas merdas que estou fazendo”, enfatizando a audácia de suas iniciativas.
Tais afirmações surgiram no contexto em que o presidente analisava os frutos de sua estratégia de aplicar taxas alfandegárias a variados parceiros comerciais ao longo de seu segundo mandato.
Tarifas foram derrubadas
Contudo, uma parcela das ações implementadas pela administração Trump foi posteriormente anulada pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Por uma votação de seis a três, a corte optou por validar uma deliberação de uma instância judicial inferior, a qual determinou que o presidente excedeu sua prerrogativa ao estabelecer tarifas universais fundamentadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.
A Suprema Corte argumentou que a interpretação governamental interferiria nas competências do Congresso e desrespeitaria a conhecida doutrina das “questões importantes”, que requer uma aprovação explícita do Poder Legislativo para iniciativas de significativo impacto econômico e político.
Em seu parecer, o presidente da Corte, John Roberts, declarou que era imperativo que Trump apresentasse uma autorização inequívoca do Congresso para fundamentar a aplicação das tarifas. Essa resolução resultou de uma ação judicial iniciada por empresas prejudicadas pelos impostos e por doze estados norte-americanos, predominantemente sob administração democrata.
Repercussões nas relações comerciais
As tarifas implementadas pela gestão Trump igualmente geraram consequências no cenário do comércio global, afetando inclusive os laços com o Brasil. Conforme informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram um declínio de 6,6% em 2025, totalizando US$ 37,7 bilhões, em contraste com os US$ 40,3 bilhões apurados no ano precedente.
Simultaneamente, as importações de bens provenientes dos Estados Unidos aumentaram 11,3%, atingindo a marca de US$ 45,2 bilhões. Desse modo, o Brasil encerrou o ano de 2025 com um saldo negativo de US$ 7,53 bilhões em sua balança comercial com a nação norte-americana.
Em novembro de 2025, a administração norte-americana comunicou a revogação de uma tarifa extra de 40% sobre múltiplos produtos brasileiros. Apesar disso, aproximadamente 22% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, correspondendo a US$ 8,9 bilhões, continuam sob a incidência das tarifas previamente instituídas.
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