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Domingo, 10 de Maio 2026
Educação

Educação profissional no Brasil registra alta de mais de 68% em cinco anos

O crescimento é impulsionado por políticas públicas que visam tornar o ensino médio mais atraente e alinhado às demandas do mercado.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Educação profissional no Brasil registra alta de mais de 68% em cinco anos
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O Censo Escolar 2025, levantamento anual conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revela um avanço significativo no número de matrículas na educação profissional e tecnológica (EPT). Os resultados indicam um aumento expressivo de 68,4% ao longo de cinco anos.

Em 2021, o país registrava um total de 1.892.458 matrículas. Em 2025, este número ascendeu para 3.187.976 estudantes.

Os dados preliminares do Censo Escolar 2025 foram divulgados na última quinta-feira (26), em Manaus, em evento promovido pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep.

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Políticas públicas impulsionam o crescimento

O setor de educação profissional e tecnológica (EPT) experimentou uma aceleração em seu crescimento, especialmente a partir de 2023.

De acordo com o MEC, essa expansão é um reflexo direto da implementação de iniciativas governamentais focadas em tornar o ensino médio mais relevante e conectado às necessidades do mercado de trabalho.

O Ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que o Programa Juros por Educação, instituído em 2025, tem o potencial de ampliar consideravelmente as vagas em cursos técnicos em todo o território nacional.

Essa iniciativa faz parte do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e tem como objetivo incentivar os estados a investirem na criação de novas oportunidades de formação técnica gratuita, tanto em cursos integrados e concomitantes ao ensino médio, quanto na modalidade de educação de jovens e adultos (EJA) e cursos técnicos subsequentes. Adicionalmente, o programa visa aprimorar a infraestrutura das redes estaduais de ensino e a qualificação docente. Até o momento, 22 estados aderiram à iniciativa.

"A expectativa é de um investimento de R$ 8 bilhões no Propag este ano, o que permitirá a criação de 600 mil novas vagas no ensino técnico integrado ao ensino médio em 2026", projetou o ministro da Educação, Camilo Santana.

Diogo Jamra, gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, considera a expansão da educação profissional e tecnológica um passo ambicioso, que demandará planejamento estratégico e ações coordenadas de todas as redes estaduais de educação para atender ao aumento de vagas com qualidade.

"Trata-se de uma oportunidade sem precedentes no país, que contribui significativamente para o desenvolvimento social e econômico do Brasil", avaliou.

Distribuição das matrículas

O censo também apresenta detalhes sobre a participação de cada esfera administrativa (estadual, federal e municipal) na oferta de vagas na educação profissional e tecnológica.

As redes estaduais de ensino foram responsáveis por 81,7% das matrículas na educação profissional pública em 2025.

A rede federal, que inclui os institutos federais (IF) e unidades de ensino técnico vinculadas a universidades federais, responde por 15,4% das matrículas.

A rede municipal detém a menor parcela, com apenas 2,8% de atendimento.

Modalidades de ensino

Os cursos técnicos podem ser oferecidos de maneira integrada ao ensino médio, ou de forma concomitante, para estudantes que estão cursando ou iniciarão essa etapa de ensino. Existe também a modalidade subsequente, destinada a estudantes que já concluíram o ensino médio.

A oferta pode ocorrer na mesma instituição de ensino ou em instituições distintas.

O Censo Escolar 2025 aponta que o modelo de ensino médio integrado ao itinerário formativo técnico profissional lidera com ampla vantagem, totalizando 1.200.606 matrículas em 2025.

Em seguida, destacaram-se no ano passado:

  • Curso técnico subsequente, com 832.032 alunos, voltado para quem já concluiu o ensino médio e busca especialização;
  • Itinerário formativo articulado (qualificação profissional), com 517.422 matrículas;
  • Ensino médio na modalidade do magistério, com 32.529 matrículas.

Diogo Jamra, gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, celebra o aumento de 57% nas matrículas da Educação Profissional e Tecnológica integrada ao ensino médio, em comparação com 2024.

“O crescimento foi ainda mais expressivo, atingindo 61,04% na rede pública. Esses números demonstram um avanço rápido e consistente da EPT no Brasil”, comemorou.

Os cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) integrados à modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) no ensino médio registraram mais de 134,9 mil matrículas em 2025, reforçando a oferta de requalificação para públicos fora da idade escolar regular.

Desempenho dos estados

O Censo Escolar 2025 indica que a média nacional para a proporção de matrículas em cursos técnicos integrados em relação ao total de matrículas do ensino médio regular na rede pública é de 20,1%.

Com base nos dados censitários, Fábio Pereira Bravin, coordenador de Estatísticas Educacionais, Indicadores e Controle de Qualidade do Censo da Educação Superior do Inep, compara o crescimento. “Saímos de uma situação pós-pandemia, onde apenas 10% das matrículas do ensino médio estavam associadas à educação profissional. Em 2025, dobramos o número de matrículas nesta modalidade, atingindo 20,1%.

O Piauí lidera o ranking nacional de integração entre ensino médio e educação profissional, alcançando a marca histórica de 68,8% de articulação técnica na rede pública, um índice aproximadamente 3,4 vezes superior à média brasileira.

No topo do ranking, também figuram:

  • Paraíba: 34,7%;
  • Acre: 34,1%;
  • Paraná: 32,9%;
  • Espírito Santo: 32,5%.

Em contrapartida, Amazonas (5,2%) e Distrito Federal (6,9%) apresentam os menores índices de integração técnica na rede pública.

Áreas de maior procura

A pesquisa aponta que o setor de educação profissional técnica de nível médio no Brasil concentra-se significativamente em áreas ligadas ao mercado corporativo e à saúde.

Os quatro principais eixos tecnológicos que lideraram as matrículas no país em 2025 foram:

  • Gestão e negócios: Lidera com 28,9% das matrículas, somando 534.056 estudantes no ensino público e 177.015 no privado;
  • Ambiente e saúde: Ocupa a segunda posição, com 711.071 matrículas (177.671 públicas e 326.327 privadas);
  • Informação e comunicação: Este eixo conta com 424.628 alunos (348.698 na rede pública e 75.930 na privada);
  • Controle e processos industriais: Registra 292.383 estudantes (159.767 matrículas públicas e 132.616 privadas).

Dentro desses eixos, as carreiras que mais atraem estudantes para a EPT são:

  • Administração (eixo gestão e negócios): É o curso mais procurado, com um total de 395.059 alunos, predominantemente ofertado pela rede pública (327.924).
  • Enfermagem (eixo ambiente e saúde): Soma 298.699 matrículas, com forte presença da rede privada, que registra 241.455 desses alunos.
  • Informática (eixo informação e comunicação): Registra 167.134 estudantes, sendo 141.593 matrículas na rede pública;
  • Desenvolvimento de sistemas (eixo informação e comunicação): Com 150.864 matriculados.

Diogo Jamra, gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, ressalta a importância dessa etapa escolar para a formação profissional dos jovens brasileiros, como um caminho para a inserção digna no mercado de trabalho.

“A educação profissional e tecnológica não encerra a trajetória educacional do estudante. Pelo contrário, estimula a continuidade dos estudos e, para aqueles com interesse, o ingresso no ensino superior”, afirmou.

Sobre o Censo

O Censo Escolar 2025 abrange dados sobre escolas, professores, gestores, turmas e alunos de todas as etapas e modalidades da educação básica. Essas informações são cruciais para a formulação, o acompanhamento e a avaliação de políticas públicas educacionais.

Para acessar os resultados da primeira etapa do Censo Escolar 2025, visite a página eletrônica de resultados do Inep.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil
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