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Segunda-feira, 09 de Março 2026

Economia

Endividamento familiar no Brasil atinge novo recorde, enquanto inadimplência recua

Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor revelam que quase 30% da receita mensal das famílias é destinada ao pagamento de débitos.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Endividamento familiar no Brasil atinge novo recorde, enquanto inadimplência recua
© Marcello Casal jr/Agência Brasil
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O número de lares brasileiros com algum tipo de dívida, incluindo cartão de crédito e financiamentos, atingiu 79,5% em janeiro, um recorde histórico que iguala o pico observado em outubro do ano anterior.

Essa informação provém da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), um levantamento divulgado na terça-feira (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em contrapartida, o índice de famílias que não conseguiram honrar seus compromissos financeiros no prazo apresentou queda pelo terceiro mês consecutivo.

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Para contextualizar, em dezembro, o endividamento estava em 78,9%, e em janeiro do ano anterior, alcançava 76,1% dos domicílios.

Uma análise dos dados de janeiro revela que o endividamento é mais acentuado entre as famílias com renda de até três salários mínimos, alcançando 82,5% desse grupo.

Por outro lado, em lares com rendimento acima de dez salários mínimos, o percentual diminui para 68,3%. Vale lembrar que o salário mínimo está fixado em R$ 1.621 desde janeiro.

Perfil do endividamento

O estudo aponta que o cartão de crédito permanece como a modalidade de dívida mais comum entre as famílias:

  • Cartão de crédito: 85,4%
  • Carnês: 15,9%
  • Crédito pessoal: 12,2%
  • Financiamento de casa: 9,6%
  • Financiamento de carro: 8,7%
  • Crédito consignado: 6%
  • Cheque especial: 3,4%
  • Outras dívidas: 2,5%
  • Cheque pré-datado: 0,3%

A pesquisa revelou que o tempo médio de comprometimento com as dívidas é de 7,2 meses, indicando o período estimado para a quitação desses débitos pelas famílias.

Conforme a Peic, a fatia da renda dedicada ao pagamento de dívidas representa, em média, 29,7% do orçamento doméstico. Preocupantemente, uma em cada cinco famílias (19,5%) reportou ter mais da metade de seus ganhos comprometida com débitos.

O estudo abrange 18 mil famílias em todo o território nacional, considerando débitos como cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas, crédito consignado, empréstimos pessoais, cheque pré-datado e parcelas de veículos e imóveis.

A CNC enfatiza que ter dívidas não é intrinsecamente um comportamento financeiro desfavorável, visto que representa uma maneira de direcionar recursos para o consumo, impulsionando a economia de forma geral.

Contudo, a entidade alerta que o índice de endividamento se torna motivo de preocupação quando as famílias demonstram incapacidade de cumprir com seus pagamentos, caracterizando a inadimplência.

Inadimplência em queda

O levantamento apontou que a taxa de inadimplência em janeiro foi de 29,3%, consolidando o terceiro mês consecutivo de redução. Esse percentual vem diminuindo desde outubro, quando registrava 30,5%.

Observa-se que a proporção de famílias com contas em atraso é inversamente proporcional à sua renda. Em domicílios com até três salários mínimos, o índice alcança 38,9%, enquanto entre os que recebem mais de dez salários mínimos, cai para 14,9%.

O estudo verificou que o período médio de atraso nos pagamentos foi de 64,8 dias em janeiro. Adicionalmente, a CNC constatou que 12,7% das famílias declararam não possuir condições de quitar seus débitos em atraso.

Impacto dos juros elevados

Segundo a CNC, a alta taxa de juros complica a amortização das dívidas, gerando um aperto crescente nos orçamentos familiares.

A Selic, taxa básica de juros da economia, mantém-se em 15% ao ano, o nível mais elevado desde julho de 2006, quando atingiu 15,25%.

Este percentual é estabelecido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) e impacta diretamente as demais taxas aplicadas no mercado, incluindo os juros cobrados dos consumidores.

A Selic é mantida em patamar elevado como estratégia para conter a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação, permaneceu por 13 meses acima do teto da meta governamental (4,5% ao ano), retornando ao intervalo de tolerância em novembro do ano passado.

A manutenção da Selic em alta atua de forma restritiva sobre a economia, elevando o custo das operações de crédito e desestimulando tanto investimentos quanto o consumo. A expectativa é de uma menor demanda por produtos e serviços, contribuindo para arrefecer a inflação. Contudo, um efeito adverso desse cenário é a desaceleração econômica, que geralmente resulta em menor criação de postos de trabalho.

Perspectivas futuras

A CNC estima que o endividamento familiar continuará em ascensão, pelo menos durante o primeiro semestre, com projeção de alcançar 80,4% em junho.

Quanto à inadimplência, a previsão é de uma redução gradual, aproximando-se de 28,9% em junho. O economista-chefe da CNC atribui essa provável regressão à esperada queda da taxa Selic, já sinalizada pelo Banco Central para iniciar em março.

“Estamos em um patamar de juros bastante elevado, portanto, levará um tempo até que esse afrouxamento monetário comece a ser percebido no mercado de crédito”, avalia o especialista.

Ele acrescenta: “Com o início da redução em março, é provável que, no final do segundo trimestre ou começo do terceiro, as famílias já encontrem uma taxa de juros consideravelmente mais baixa.”

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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