O episódio de engasgo vivido por Alberto Cowboy no “BBB26”, que mobilizou tanto os colegas de confinamento quanto a equipe médica, trouxe à tona uma dúvida frequente fora da casa: é sempre necessário intervir imediatamente? Um especialista adverte que a manobra de desengasgo nem sempre é a ação mais indicada. O portal LeoDias detalha as melhores práticas diante de uma emergência.
“O engasgo ocorre quando algo impede a passagem de ar da garganta para os pulmões. Isso pode ser causado por alimentos, pequenos objetos ou até mesmo próteses dentárias. Trata-se de uma emergência, pois bloqueia o fornecimento de oxigênio ao cérebro e exige uma resposta ágil. Atualmente, as diretrizes internacionais são claras: a conduta apropriada depende da capacidade da pessoa de tossir. Se ela tosse, permita que continue; se não consegue respirar, a intervenção imediata é crucial”, esclareceu o médico otorrinolaringologista Thiago Zago.
O especialista também alertou para mitos e práticas difundidas popularmente que são ineficazes durante um engasgo: “Atitudes como levantar os braços, oferecer água, sacudir a pessoa ou tentar remover o objeto com o dedo sem visualizá-lo são sem eficácia. Essas ações podem atrasar o socorro ou agravar a obstrução. Em qualquer caso de engasgo grave, ligue para o SAMU no número 192”, enfatizou.
Contudo, existem situações em que a intervenção de terceiros não é necessária, como possivelmente ocorreu com Alberto Cowboy: “Se a pessoa está tossindo vigorosamente ou consegue falar, o mais seguro é deixá-la tossir. A tosse é o mecanismo natural do corpo para expelir o objeto. A ação é exigida quando o engasgo é grave. Os sinais de alerta incluem incapacidade de falar, tossir ou respirar, e a pessoa pode apresentar coloração arroxeada. Nesses cenários, a situação é emergencial”, explicou.
O médico descreveu o procedimento passo a passo para auxiliar alguém que está engasgando.
Como agir em adultos e crianças com mais de 1 ano?
As recomendações mais recentes indicam a aplicação de cinco tapas nas costas seguidos por cinco compressões abdominais (manobra de Heimlich). Para realizar a manobra: posicione-se atrás da pessoa; envolva-a com os braços; feche uma das mãos em punho; coloque o polegar do punho na região entre o umbigo e o final do osso do peito; segure o punho com a outra mão; execute um movimento rápido para dentro e para cima; repita a sequência até que o objeto seja expelido, a pessoa volte a respirar ou o socorro profissional chegue. Essa sequência foi reforçada nas diretrizes de 2025 da American Heart Association, que agora recomendam as pancadas nas costas antes das compressões abdominais.
E em bebês?
Para menores de 1 ano, a orientação é aplicar cinco tapas nas costas e cinco compressões no peito, repetindo o ciclo. Compressões abdominais não são aconselhadas em bebês devido ao risco de lesões internas.