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Sábado, 07 de Novembro 2026

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Direitos Humanos

Estudo inédito aponta racismo no audiovisual e desigualdade na indústria do som

Levantamento revela disparidade salarial e imposição de padrões eurocêntricos que ignoram a diversidade de timbres e linguagens.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Estudo inédito aponta racismo no audiovisual e desigualdade na indústria do som
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Um levantamento inédito realizado no Brasil durante o Novembro Negro revelou a presença de racismo no audiovisual, destacando a disparidade salarial e a imposição de padrões eurocêntricos no setor. O dossiê "A Cor do Som", fruto de uma parceria entre as instituições Semiótica Antirracista e Estúdio Nina, com apoio da Audiolivros, ouviu 24 especialistas e trabalhadores para mapear as desigualdades no mercado sonoro nacional.

O estudo enfatiza que a diversidade dos timbres humanos desmente a ideia de que existam vozes específicas para cada raça. A pesquisa reuniu relatos de 18 profissionais negros das áreas técnica e criativa, além de acadêmicos e ativistas engajados na pauta racial.

"Higienização" sonora e padrões eurocêntricos

Ao examinar a produção técnica, os pesquisadores constataram que a indústria do som no país adota um modelo de herança colonial. Esse padrão busca "higienizar" o áudio, eliminando ruídos urbanos e marcas da cultura afro-brasileira para impor um som artificialmente purificado.

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A exigência pela norma-padrão da língua também cria hierarquias linguísticas nas produções. O relatório recupera o conceito de "Pretuguês", formulado por Lélia Gonzalez (1935-1994), para criticar o preconceito contra marcas sintáticas e fonéticas de origem africana no português falado.

Desigualdade no mercado de trabalho

O levantamento detalhou as condições enfrentadas por profissionais negros em agências, estúdios e produtoras. Entre os principais problemas relatados estão:

  • Remuneração inferior à de colegas brancos em funções idênticas;
  • Contratação motivada pela aceitação de salários menores;
  • Dificuldade para precificar o próprio trabalho conforme a qualificação;
  • Exigência de maior esforço para provar competência técnica;
  • Ausência de reconhecimento pelo desenvolvimento de projetos.

Falta de espaço para liderança criativa

Depoimentos colhidos revelam episódios de demissão após pedidos de equiparação salarial e a substituição por profissionais brancos sem a mesma bagagem. Além disso, trabalhadores relataram que funções de liderança e criação continuam majoritariamente reservadas a pessoas brancas.

Outro ponto crítico é o enquadramento de produções feitas por negros como conteúdos de nicho. O dossiê aponta que o racismo perpetua a falsa premissa de que a perspectiva branca é universal, enquanto as narrativas negras seriam direcionadas apenas a públicos específicos.

Desafio ao silenciamento histórico

Para os autores do estudo, combater o silenciamento é essencial para transformar a cadeia produtiva do audiovisual no Brasil. A proposta é desconstruir mitos da neutralidade técnica e incentivar a criação de fluxos de trabalho inclusivos e diversos.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura ─ Repórter da Agência Brasil
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