O governo federal divulgou nesta terça-feira (31) o fortalecimento da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP). A iniciativa oferece suporte financeiro e metodológico a projetos voltados à preparação de alunos economicamente vulneráveis para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
A meta é elevar o total de cursinhos atendidos de 384 para 1,2 mil ainda este ano. A informação foi compartilhada por Camilo Santana, ministro da Educação, durante a cerimônia Universidade com a Cara do Povo Brasileiro, realizada no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo.
O titular da pasta também detalhou que o aporte financeiro na rede passará dos atuais R$ 74,4 milhões para R$ 290 milhões no ano de 2026.
Escola Nacional de Hip Hop
Outra novidade apresentada foi a fundação da Escola Nacional de Hip-Hop (H2E). O projeto, capitaneado pelo Ministério da Educação, pretende inserir a cultura hip-hop na rotina pedagógica, com um orçamento previsto de R$ 50 milhões para o biênio 2026-2027.
O decreto que formaliza a criação da escola foi assinado no evento pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Educação. Camilo Santana defendeu que a proposta representa uma modernização do currículo escolar:
"Através da expressão cultural, buscaremos ampliar o vínculo dos jovens com a escola, colaborando também para o cumprimento da Lei 10.639, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira", afirmou Santana.
A solenidade também celebrou marcos históricos: as duas décadas do Prouni, os 14 anos da Lei de Cotas no ensino federal e os dez anos da primeira turma de cotistas graduados.
Institutos federais
Em seu discurso, o presidente destacou que o Brasil precisa priorizar a educação para impulsionar seu progresso. Ele revelou o plano de expandir a quantidade de Institutos Federais de Educação de 140 para 800 unidades até o encerramento do ano.
"Tratar a educação como investimento é essencial, pois é a forma mais eficaz de transformar uma nação ao capacitar seu povo. O Brasil carrega um atraso histórico de séculos por não ter investido no conhecimento anteriormente", declarou Lula.
O presidente também exaltou o impacto social do Prouni e das cotas, frisando que a formação acadêmica é um pilar de autonomia, especialmente para o público feminino.
"Para as mulheres, o diploma representa algo sagrado: a liberdade. Não se trata apenas de remuneração, mas da capacidade de decidir o próprio destino com independência", pontuou.
O mandatário argumentou que a qualificação profissional permite que a mulher não dependa de terceiros para sua subsistência, garantindo-lhe o direito de romper relações indesejadas.
Além da cúpula do Executivo, estiveram presentes a ministra Anielle Franco, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ex-ministro Fernando Haddad.
O encontro atraiu aproximadamente 15 mil participantes, incluindo beneficiários de políticas de inclusão, estudantes de movimentos sociais e jovens de cursinhos comunitários.
Prouni
Dados do Ministério da Educação indicam que o Prouni atingiu a marca histórica de 594,5 mil bolsas em instituições privadas no primeiro semestre de 2026. Desse total, mais de 65% foram destinadas a estudantes negros, pardos ou indígenas. Entre 2023 e 2026, o programa viabilizou 2,3 milhões de benefícios.
Desde sua criação em 2005, o programa acumula 27,1 milhões de inscrições e já formou 1,5 milhão de profissionais até 2025.
Lei de Cotas
A Lei de Cotas, vigente desde 2012, permitiu o ingresso de cerca de 2 milhões de estudantes em instituições de ensino superior nos últimos 14 anos, segundo balanço oficial.
O montante inclui 790 mil ingressos via Sisu, 1,1 milhão pelo Prouni e quase 30 mil através do Fies.
Com a atualização da legislação em 2023, quilombolas passaram a ser contemplados, resultando na entrada de 95 mil novos cotistas no ensino superior entre 2024 e 2026.