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Sexta-feira, 01 de Maio 2026
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Família de médico assassinado no Maranhão exige julgamento de segundo réu após quase cinco anos

Em entrevista ao portal LeoDias, o pai e o irmão de Bruno Calaça relatam que Ricardo Pereira da Silva, apontado como instigador do crime, permanece em liberdade sem data para ser julgado

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Família de médico assassinado no Maranhão exige julgamento de segundo réu após quase cinco anos
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Aproximando-se de cinco anos desde o falecimento do médico Bruno Calaça Barbosa, vítima de assassinato durante uma celebração em Imperatriz, no Maranhão, seus familiares relatam que o processo judicial contra o segundo acusado no caso não apresenta progressos significativos. Em depoimento exclusivo ao portal LeoDias, Willian Calaça, irmão da vítima, e Rogério Cardoso, seu pai, expressaram a expectativa pela marcação do júri popular de Ricardo Pereira da Silva, que é apontado como o indivíduo que teria incitado o policial a efetuar o disparo fatal.

Bruno, então com 24 anos, celebrava sua formatura em Medicina quando foi atingido por um tiro na madrugada de 26 de julho de 2021. Registros de câmeras de segurança capturaram o instante em que ele se envolveu em uma discussão com Adonias Sadda, à época soldado da Polícia Militar do Maranhão, que foi o autor do disparo. O ex-policial já foi submetido a julgamento e recebeu uma condenação de 23 anos de reclusão, pena que, de acordo com os familiares, está sendo cumprida atualmente.

Contudo, o desdobramento do caso ainda aguarda o julgamento de um segundo envolvido. Conforme relatado por Willian, o trâmite processual contra Ricardo não registrou avanços notáveis desde a fase de denúncia. “A sensação que temos é de estagnação. Quase cinco anos se passaram, e ele permanece em liberdade, vivendo sua rotina normalmente, apesar de ser réu em um processo por homicídio”, declarou. O irmão de Bruno acrescentou que gravações da festa sugerem que Ricardo teria instigado Adonias a se aproximar da vítima. “Ao longo de toda a filmagem, ele insiste para que Adonias se aproxime do meu irmão, puxando-o pelo braço. Há até um momento em que ele agride meu irmão”, detalhou.

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A família, segundo Willian, coletou evidências que apontam para o réu cursando Medicina no Paraguai. “Acessamos fotografias de Ricardo em eventos universitários, obtivemos seu número de matrícula e o nome da instituição. Encaminhamos todas essas informações à promotoria, mas não houve qualquer progresso no processo, mesmo com ele desrespeitando as medidas cautelares. Ele não tem comparecido à comarca da localidade onde declarou residir e trabalhar”, expressou Willian, manifestando sua indignação com a inação.

Rogério, pai de Bruno, narra que a família foi informada da possível graduação no exterior por intermédio de terceiros e prontamente comunicou à Justiça. “Alguém, ciente dos fatos ocorridos aqui, me procurou. Essa pessoa relatou que ele estava estudando lá, que mantinha um relacionamento com a irmã dela e que havia grande preocupação com a situação. Eu encaminhei essas informações à Justiça, mas nenhuma providência foi tomada”, contou.

Conforme Rogério, a repercussão do caso nas redes sociais e na universidade em Ciudad del Este, onde o réu supostamente estudava, teria motivado manifestações estudantis. Posteriormente, o paradeiro do acusado voltou a ser desconhecido. “Não temos certeza se ele prosseguiu os estudos em outra cidade ou instituição. Contudo, informações recentes indicam que ele se encontra atualmente em Arame, uma cidade vizinha”, revelou.

Mesmo com a fase de recursos da determinação que encaminhou o réu para júri popular concluída, os familiares alegam não ter recebido qualquer indicativo sobre a data do julgamento. “Não há uma previsão definida; nada nos foi comunicado. Ele responde ao processo em liberdade, desprovido de restrições, sem tornozeleira eletrônica, com a prerrogativa de frequentar eventos e retornar para casa a qualquer hora, inclusive nos fins de semana”, desabafou Rogério.

A motivação por trás do crime

Um dos aspectos cruciais que a família almeja ver elucidado no julgamento é a verdadeira motivação de Ricardo. Conforme Willian, as imagens examinadas durante o júri de Adonias Sadda, o ex-policial militar que também foi julgado e sentenciado a 23 anos de reclusão pelo disparo contra Bruno, revelam que Ricardo se aproximou repetidamente da mesa onde a vítima estava na festa.

“Nas imagens, Ricardo interage com meu irmão, abraçando-o, sem que haja qualquer indício de desentendimento. Por isso, é difícil compreender a razão de tudo o que aconteceu. No vídeo exibido durante o júri popular de Adonias, Ricardo se dirigiu à nossa mesa em pelo menos três ou quatro ocasiões, e Adonias consistentemente o afastava. O próprio Adonias declarou em seu julgamento que Ricardo afirmou que meu irmão estava armado, e essa teria sido a justificativa para ele se aproximar. De acordo com o ex-PM, essa foi a única razão pela qual ele foi persuadido a abordar Bruno”, esclareceu Willian Calaça.

A família refuta veementemente tal alegação, afirmando que o médico jamais portou armamento. “Meu irmão nunca sequer manipulou um canivete para andar na rua, muito menos uma arma de fogo. Ansiamos por entender o que levou Ricardo a agir dessa forma, visto que não houve qualquer desentendimento entre ele e meu irmão, e eles sequer se conheciam antes da festa”, pontuou. Para Willian, a declaração de Ricardo teria sido uma manobra para persuadir Adonias a se aproximar de seu irmão. O pai, por sua vez, considera essa a questão primordial a ser desvendada: a razão pela qual Ricardo supostamente fabricou essa narrativa.

O impacto devastador na família

Para além da incessante busca por esclarecimentos, a família relata que o crime deixou sequelas profundas, particularmente na mãe de Bruno. “Minha mãe atualmente faz uso de múltiplos antidepressivos e enfrenta episódios de internação psiquiátrica em decorrência de uma depressão severa”, detalhou Willian. “Transitamos de um período de imensa alegria, com a formação do primeiro médico da família, para a mais profunda tristeza, que foi a perda do meu irmão. Ele concluiu seus estudos por meio do programa ProUni, com uma bolsa integral”, relembrou, com saudade e orgulho do irmão que partiu.

No período escolar, Bruno obteve distinções na Olimpíada Maranhense de Química e, na universidade, exerceu a função de monitor remunerado. “Privaram Bruno da oportunidade de concretizar seus anseios, de alcançar seus próprios feitos e de formar uma família; um jovem de 23 anos, recém-formado em Medicina, possuía uma infinidade de sonhos a serem realizados”, lamentou Rogério.

Apelo por visibilidade e justiça

Ao retomar a discussão pública sobre o ocorrido, a família declara que sua intenção é exercer pressão para que o julgamento do segundo réu seja, enfim, agendado. Willian enfatiza a necessidade de questionar a manutenção da liberdade do acusado enquanto o processo se arrasta. Em contraste, o ex-policial militar Adonias Sadda permanece em cumprimento de pena em regime fechado.

O portal LeoDias não conseguiu estabelecer contato com a defesa de Ricardo Pereira da Silva. O veículo permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos.

FONTE/CRÉDITOS: Heloísa Cipriano
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