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Domingo, 10 de Maio 2026
Educação

Frequência no ensino fundamental chega a 99,5% e distorção idade-série diminui

Levantamento aponta queda no volume total de matrículas em todos os níveis da educação básica

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Frequência no ensino fundamental chega a 99,5% e distorção idade-série diminui
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Nesta quinta-feira (26), o Ministério da Educação (MEC) e o Inep apresentaram, em Manaus, os dados iniciais do Censo Escolar 2025. O levantamento contabilizou 46,01 milhões de alunos, o que representa um recuo de 2,29% em relação ao ano anterior, quando o total era de 47,08 milhões.

O ensino fundamental concentra a maior parte do contingente, com 25,8 milhões de matrículas, equivalendo a 56,07% do total de 2025. Nesta fase, voltada a crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, o acesso é obrigatório. Com base em indicadores do IBGE, o Inep estima que a escolarização nessa faixa etária é praticamente universal, atingindo a marca de 99,5%.

Segundo Fábio Pereira Bravin, coordenador de Estatísticas Educacionais do Inep, o ensino fundamental já atingiu a universalização. O especialista ressaltou que o volume de registros nessa etapa permanece em um patamar de estabilidade.

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Ensino médio

No nível médio, o Censo identificou 7,36 milhões de estudantes, sendo 6,33 milhões na rede pública e 1,03 milhão em instituições privadas. O segmento vem registrando quedas sucessivas nos últimos quatro anos, saindo de 7,77 milhões em 2021 para o patamar atual, uma redução de aproximadamente 400 mil alunos no período.

De acordo com o Inep, parte desse declínio nas matrículas é reflexo de uma maior eficiência do sistema, com a diminuição do número de alunos que cursam séries fora da idade recomendada.

“Em 2021, o índice de alunos com atraso era de 25,3%, caindo para 16% em 2025. Essa redução de quase dez pontos percentuais indica que mais jovens avançaram e concluíram a educação básica no tempo previsto”, explicou o coordenador do instituto.

Outro destaque positivo foi o aumento da permanência escolar entre jovens de 15 a 17 anos. O percentual desse grupo que frequenta as aulas subiu de 89% em 2019 para 93,2% em 2025, reduzindo o abandono precoce.

O ministro Camilo Santana atribuiu a melhora nos índices de retenção ao programa Pé-de-Meia. Implementada em 2023, a iniciativa oferece suporte financeiro e funciona como uma poupança para estudantes da rede pública inscritos no CadÚnico, visando garantir a conclusão do ciclo escolar.

"Trata-se de uma estratégia para evitar a evasão e incentivar o progresso acadêmico, já que o benefício está condicionado à aprovação e frequência do aluno", afirmou o titular da pasta.

Queda na distorção idade-série

Os dados do Censo também revelam que a taxa de distorção idade-série recuou em todos os níveis da educação básica. Esse indicador mede a proporção de estudantes que estão em séries defasadas em relação à faixa etária esperada.

No ensino fundamental e médio, o atraso escolar teve reduções de 4,3 e 10,3 pontos percentuais, respectivamente, entre 2021 e 2025. No ensino médio, o índice que era de 25,3% há quatro anos baixou para 16%.

Considerando especificamente o 3º ano do ensino médio, a queda na distorção chegou a 61%, passando de 27,2% em 2021 para 13,99% em 2025, conforme detalhado pelo ministro Camilo Santana.

Nos anos finais do ensino fundamental, a taxa recuou de 21% para 14,4%, enquanto nos anos iniciais o índice passou de 7,7% para 6,6%.

Disparidades por cor e raça

O Censo evidencia que o atraso escolar permanece mais acentuado entre alunos que se declaram pretos ou pardos em comparação aos brancos em todas as fases do ensino.

Essa desigualdade na trajetória acadêmica surge logo no início da vida escolar e tende a se intensificar à medida que o estudante progride nos ciclos de aprendizagem.

Em 2025, nos anos finais do ensino fundamental, 9,2% dos estudantes brancos estavam fora da idade adequada, enquanto o índice entre alunos negros era quase o dobro, atingindo 17,7%.

No ensino médio, a discrepância persiste: a taxa de distorção para jovens negros é de 19,3%, contra 10,9% registrada entre os estudantes brancos.

O Inep ressaltou que a coleta de dados sobre cor e raça é obrigatória no Censo Escolar há duas décadas, seguindo as categorias definidas pelo IBGE: branca, preta, parda, amarela e indígena.

Desde 2018, o Conselho Nacional de Educação (CNE) reforçou a necessidade desse registro, que deve ser preenchido por meio da autodeclaração das famílias ou dos próprios alunos.

A ausência de informações raciais caiu de 25,5% em 2023 para 13,6% em 2025. Segundo o MEC, essa melhora na qualidade dos dados é fundamental para mapear gargalos e estruturar políticas públicas mais assertivas.

“Houve um avanço na coleta porque as instituições compreenderam a importância desse dado para diagnosticar e combater as desigualdades raciais no sistema”, observou o coordenador do Inep.

Sobre o levantamento

O Censo Escolar vai além da contagem de matrículas em todas as etapas da educação básica brasileira.

A pesquisa abrange informações detalhadas sobre infraestrutura escolar, corpo docente, gestores e turmas, contemplando modalidades como Educação de Jovens e Adultos (EJA), ensino profissional e educação especial inclusiva.

Além de fornecer estatísticas oficiais, os resultados são essenciais para o planejamento, acompanhamento e avaliação das políticas educacionais no país.

Os indicadores também orientam a transferência de recursos federais para programas fundamentais, como alimentação e transporte escolar, além da distribuição de livros didáticos e materiais pedagógicos.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil
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