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Direitos Humanos

Futebol no Distrito Federal: projeto de inclusão para pessoas trans vai além do esporte

A proposta do Instituto Menines Bons de Bola promove saúde mental e pertencimento, combatendo a exclusão em quadras e vestiários.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Futebol no Distrito Federal: projeto de inclusão para pessoas trans vai além do esporte
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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No Distrito Federal, o professor e homem trans Loeh da Silva Araújo lidera o "Instituto Menines Bons de Bola", um projeto inovador que oferece a pessoas trans um espaço seguro para a prática do futebol, promovendo a inclusão social, a saúde mental e o senso de pertencimento. A iniciativa, que reúne pessoas trans masculinas e femininas em espaços públicos, vai muito além da atividade esportiva, funcionando como um ponto de apoio e união.

A segregação de gênero nos esportes escolares, com a clássica divisão "meninas de um lado, meninos de outro", sempre foi uma realidade incômoda para o educador físico brasiliense Loeh da Silva Araújo, de 32 anos, um homem trans. Ele jamais se identificou com essa imposição.

Em contrapartida a essa experiência de exclusão, Loeh abraçou a missão de criar um ambiente diferente, fundando um projeto que congrega pessoas trans masculinas e femininas para a prática do futebol em diversas quadras e campos públicos do Distrito Federal.

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"É muito mais do que apenas jogar futebol", explica o professor Loeh. "Aqui, conversamos, nos unimos, cuidamos da nossa saúde mental, nos conhecemos e combatemos a solidão que muitas vezes nos acompanha."

Recentemente, Loeh esteve presente na celebração do Dia do Orgulho LGBTQIA+ no centro de Brasília, um evento que reforça a importância da visibilidade e do respeito à diversidade.

Na ocasião, ele destacou o "Instituto Menines Bons de Bola", que promove encontros às quintas e domingos, buscando fortalecer o senso de pertencimento. Com 150 participantes inscritos, a iniciativa é considerada um verdadeiro "golaço" dentro e fora dos gramados.

Loeh enfatiza a urgência de assegurar espaços de visibilidade, representação e união para um público que, infelizmente, enfrenta cotidianamente hostilidades e processos de exclusão social.

Ceu Otaviano, de 37 anos, coordenador do núcleo trans do grupo ativista Estruturação, corrobora essa visão, apontando que pessoas trans frequentemente são marginalizadas das práticas esportivas tradicionais.

"O projeto de futebol tem um impacto significativo na saúde mental de muitos de nós", afirma Ceu, sublinhando o valor terapêutico da iniciativa.

A força da inclusão pelo esporte

Entre os participantes, Mayura Kali, lojista de 24 anos, expressa o desejo de dedicar mais tempo à prática esportiva. No entanto, sua rotina de trabalho, com escala 6x1, limita essa possibilidade.

"Quando chego para jogar futebol, tudo melhora. Já me destaquei como goleira e, agora, atuo como atacante. É um espaço onde consigo ter conversas e compartilhar experiências que não encontro no ambiente de trabalho", relata Mayura.

A autônoma Lilith Lunar, de 25 anos, que atua como artesã e bartender, compartilha um sentimento similar.

"Esses encontros são essenciais para nos fortalecer no dia a dia, que muitas vezes apresenta tantos desafios", pontua Lilith, reforçando a importância do apoio mútuo.

Superando espaços de violência

Loeh lamenta ouvir relatos de participantes que, na infância e adolescência, detestavam as aulas de educação física. Muitas vezes, quadras e vestiários escolares eram percebidos como ambientes de violência, marcados por agressões físicas e bullying.

"É crucial que escolhamos espaços que sejam construtivos e que nos permitam blindar das diversas formas de violência", defende o professor, destacando a importância de ambientes seguros.

Durante os revezamentos em quadra, enquanto aguardam sua vez de jogar, os participantes encontram um momento para desabafar. Loeh assegura que "piadinhas ou apelidos não autorizados são estritamente proibidos" na atividade, garantindo um ambiente respeitoso.

O esporte como legado para o futuro

Para Loeh, o projeto transcende a prática esportiva, demonstrando que a população trans tem o direito e a possibilidade de viver plenamente e se divertir.

"Não se trata apenas de estar vivo. Embora seja um tempo de luta contínua, é também um momento para celebrar nossas conquistas e a própria existência", reflete.

Entre os que celebravam a data e participam do projeto, destaca-se Daymon Luiz, de 27 anos, um apaixonado por futebol que trabalha em uma rede de bares no Distrito Federal.

Daymon, que já vivenciou uma gestação, é pai de uma menina de três anos.

"Eu a levo para os jogos de futebol e também para nossos atos de visibilidade. Ela é uma menina preta, e já conversamos com ela sobre a importância da diversidade. Meu desejo é que, quando ela crescer, o mundo seja um lugar muito melhor e mais acolhedor", finaliza Daymon, com esperança.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil
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