Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, declarou nesta segunda-feira (30) que o Brasil se encontra em uma situação mais vantajosa em comparação a outras nações para lidar com a instabilidade nos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. A afirmação foi feita durante sua participação no evento J. Safra Macro Day, que ocorreu pela manhã na capital paulista.
"É evidente que todos prefeririam um contexto sem os diversos riscos e choques que a economia global tem vivenciado nos últimos anos. No entanto, ao comparar o Brasil com seus pares, nossa nação parece ocupar uma posição consideravelmente mais favorável", observou o presidente do Banco Central.
Galípolo explicou que essa vantagem se fundamenta em dois pilares: o Brasil ser um exportador líquido de petróleo e a política monetária contracionista implementada pelo Banco Central, que mantém a Taxa Selic no patamar de 14,75% ao ano.
"Em comparação com outros bancos centrais, que operam com taxas de juros mais próximas de um patamar neutro, considero que essa condição nos posiciona de forma mais vantajosa frente aos nossos equivalentes internacionais", acrescentou Galípolo.
Para o presidente do Banco Central, o atual nível elevado das taxas de juros no Brasil estabeleceu uma "margem de manobra" que possibilitará a redução da taxa básica, mesmo diante das pressões geradas pelo conflito no Oriente Médio.
"A reserva acumulada através de uma postura mais conservadora nas últimas reuniões do Copom nos permitiu, mesmo diante de novos eventos, não modificar a conjuntura econômica como um todo", afirmou. "Dessa forma, decidimos manter nossa trajetória e dar início ao ciclo de ajuste da política monetária."
Na sua avaliação, a confluência desses fatores sugere que o país, em sua situação atual, se assemelha mais a um "transatlântico" do que a um "jet ski", metaforicamente indicando maior estabilidade e menor suscetibilidade a movimentos bruscos.
"Não faremos movimentos abruptos nem extremos. Por isso, no Relatório de Política Monetária (RPM), tive o cuidado de enfatizar que essa 'reserva' nos proporcionou tempo para observar, analisar e aprofundar nosso entendimento sobre o cenário", disse a autoridade monetária.
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Inflação
De acordo com Galípolo, a volatilidade nos preços internacionais do petróleo deverá acarretar um aumento da inflação no Brasil e, adicionalmente, uma desaceleração da economia nacional em 2026.
O presidente do Banco Central observou que, no contexto brasileiro, a elevação do preço do petróleo frequentemente gerou um impacto positivo no Produto Interno Bruto (PIB), uma realidade que, segundo ele, não deverá se concretizar nesta ocasião.
"Esta elevação no preço do petróleo, a meu ver, apresenta uma natureza bastante distinta das anteriores. Ela não é impulsionada por um ciclo de aumento da demanda, mas sim por um choque de oferta", detalhou.
"Assim, no Banco Central, nossa projeção é de uma provável aceleração da inflação e uma desaceleração do crescimento econômico", concluiu Galípolo.