O Maranhão tem um histórico doloroso de desaparecimentos e mortes de crianças, marcado pelo caso dos “meninos emasculados”, ocorrido entre 1991 e 2003. Naquele período, crianças e adolescentes desapareceram ou foram encontrados mortos em municípios da Grande São Luís e Codó, interior do estado, alguns com sinais de mutilação.
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O caso gerou pânico social, levantou inúmeras teorias e chegou a ser associado, de forma especulativa, a rituais. Anos depois, a investigação identificou um assassino em série, que foi preso e condenado.
Apesar disso, o episódio deixou marcas profundas na memória coletiva e continua sendo lembrado sempre que novos casos vêm à tona.
No início deste ano, o desaparecimento de três crianças na zona rural de Bacabal reacendeu esse histórico e antigas narrativas sobre violência infantil no estado.
As crianças desapareceram enquanto brincavam próximas a uma área de mata na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos. Quatro dias depois, um menino de 8 anos foi encontrado com vida. As buscas continuam pelas duas menores.
Os investigadores trabalham com hipóteses comuns a desaparecimentos em áreas rurais, como desorientação em mata fechada, dificuldades de locomoção e fatores ambientais. A região possui vegetação densa, rios e lagoas, o que dificulta as buscas e aumenta o tempo de resposta.
Codó e o peso da religiosidade no imaginário popular
Codó é reconhecida nacionalmente como um dos principais centros de religiões de matriz africana do Maranhão, com forte presença do Terecô, do Tambor de Mina e da Umbanda. A projeção da cidade se consolidou ao longo do século XX, especialmente a partir da atuação de líderes religiosos conhecidos, como Bita do Barão, figura que atraiu fiéis de várias partes do país.
Essa visibilidade cultural, no entanto, também contribuiu para a construção de estigmas. Ao longo dos anos, Codó passou a ser retratada, muitas vezes de forma sensacionalista, como uma “cidade mística”, rótulo que frequentemente surge em momentos de comoção social ou crises envolvendo violência.
Pesquisadores e estudiosos da religiosidade maranhense afirmam que essas tradições não envolvem práticas violentas nem sacrifícios humanos, e que a associação com crimes é resultado de preconceito religioso e desinformação.
Alerta para boatos
Enquanto as buscas continuam em Bacabal, autoridades reforçam o pedido para que informações concretas sejam repassadas à polícia e alertam para os riscos da disseminação de boatos. Até o momento, não há qualquer confirmação de que rituais religiosos estejam por trás dos desaparecimentos, seja em Bacabal ou em Codó.
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