Um dos bastidores mais interessantes do remake de “Pantanal” (2022) foi revelado em “Metamorfose”, terceiro e último volume da trilogia do jornalista Ernesto Rodrigues sobre a história da Globo. Na obra, o autor revela que a emissora estabeleceu uma condição para levar a nova versão da novela ao ar: ela não poderia repetir o erotismo que marcou a produção original da extinta TV Manchete.
Segundo o livro, a decisão foi tomada no primeiro semestre de 2021, durante uma reunião entre Amauri Soares, recém-nomeado diretor do canal TV Globo, Ricardo Waddington, então diretor dos Estúdios Globo, e José Luiz Villamarim, diretor de dramaturgia da emissora. Na ocasião, Amauri deixou claro que a prioridade era fortalecer a conexão da Globo com a família brasileira no período pós-pandemia e que a novela deveria refletir esse posicionamento.
Leia Também
Bruna Griphao volta à dramaturgia em seu primeiro trabalho na Globo após o “BBB 23”
Mistério chega ao fim: “Quem Ama Cuida” revela por que Pedro se casou com Bruna
Opinião: Preta Gil virou um sentimento coletivo e por isso é homenageada
Globo evita repetir erro e blinda Aguinaldo Silva até 2029 após sucesso de “Três Graças”
Conforme reproduz Metamorfose, o executivo afirmou: “Não podemos ter nenhuma cena erótica ou romântica que constranja a família. Pantanal é o grande momento nosso de conexão com a sociedade, depois da pandemia. E o lugar da TV Globo é no centro da sala, não é no telefoninho celular no quartinho escuro”.
Mais de um ano depois, já com “Pantanal” consolidada como um dos maiores sucessos da televisão brasileira, Amauri voltou ao assunto em entrevista concedida ao próprio Ernesto Rodrigues. No livro, ele explica como essa diretriz foi traduzida para a produção da novela.
“A ‘Pantanal’ da Manchete era exibida num horário mais tarde. No nosso caso, decidimos que não íamos mostrar seios, que não haveria movimentos mecânicos de coito e que não teríamos corpos desnudos nem na contraluz. O meu papel, como exibidor, era apresentar o problema e foi o que fiz. Quem tinha de encontrar a solução era o autor. É assim em Hollywood há cem anos”, disse.
O relato mostra que a Globo optou por preservar a essência da obra criada por Benedito Ruy Barbosa, mas adaptando sua linguagem ao perfil da emissora. Coube ao autor Bruno Luperi encontrar alternativas para manter a sensualidade característica de Pantanal sem recorrer aos elementos que se tornaram marca registrada da versão original.
Lançado no fim de abril, “Metamorfose” encerra a trilogia em que Ernesto Rodrigues reconstrói a história da Globo por meio de documentos, entrevistas e relatos de bastidores. A obra reúne episódios inéditos envolvendo a dramaturgia, o jornalismo e as principais decisões estratégicas da emissora nas últimas décadas.