Com o codinome “Carbono Oculto”, a operação concentra esforços no setor de combustíveis e em fundos de investimento localizados na Avenida Brigadeiro Faria Lima, maior polo financeiro do país.
Ao todo, 350 alvos em oito estados estão sendo investigados, incluindo empresários, contadores e diretores de fintechs que teriam participado da lavagem de cerca de R$ 30 bilhões. A operação é considerada um marco no combate à atuação do PCC dentro do mercado legal e financeiro.
Principais alvos na Faria Lima
A Faria Lima concentra 42 dos alvos da operação, entre eles:
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Mohamad Hussein Mourad – apontado como epicentro do esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.
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Roberto Augusto Leme da Silva, “Beto Louco” – vinculado às empresas Aster e Copape.
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Marcelo Dias de Moraes – presidente da Bankrow Instituição de Pagamento, usada no esquema de lavagem.
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Camila Cristina de Moura Silva/Caron – diretora financeira da fintech BK, apontada como “banco paralelo” do PCC.
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Valdemar de Bortoli Júnior – envolvido em distribuidoras de combustíveis Rede Sol Fuel e Duvale.
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José Carlos Gonçalves, “Alemão” – ligado diretamente ao PCC.
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Lucas Tomé Assunção – contador de empresas que controlavam 103 postos de gasolina e usinas de álcool.
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Marcello Ognibene da Costa Batista – contador de múltiplas empresas com indícios de fraude societária.
Como funcionava o esquema
A investigação aponta três frentes principais:
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Adulteração de combustíveis: Importação irregular de metanol, altamente inflamável, usado para adulterar combustíveis em postos por todo o país.
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Lavagem de dinheiro: Recursos obtidos com a venda dos combustíveis adulterados eram ocultados por meio de fundos de investimento e fintechs, configurando um sofisticado esquema de “banco paralelo”.
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Aquisição de ativos de luxo: Os lucros eram convertidos em caminhões, usinas, imóveis e até uma mansão de R$ 13 milhões em Trancoso, Bahia.
Alcance nacional
Além de São Paulo, a operação tem ações em Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina, mostrando a dimensão nacional do esquema. Autoridades estimam que, se não fosse desmantelado, o esquema poderia comprometer significativamente a integridade do mercado financeiro e o abastecimento de combustíveis.
Impacto e próximos passos
Segundo o MPSP, a operação busca prevenir futuras infiltrações do crime organizado na economia formal, garantindo transparência e segurança jurídica no setor financeiro e energético. Novos mandados e prisões devem ser anunciados à medida que as investigações avancem.
“Esta operação mostra que o crime organizado não está restrito às ruas; ele pode infiltrar-se nas estruturas mais sofisticadas da economia. Nossa missão é combater essas práticas e proteger o sistema financeiro do país”, afirmou um porta-voz da Polícia Federal.
A operação “Carbono Oculto” segue em andamento e promete revelar novas conexões entre o PCC e o setor empresarial brasileiro.