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Terça-feira, 21 de Abril 2026
Economia

Mercado financeiro eleva projeção de inflação para 4,17% em 2026

De acordo com o Banco Central, a expectativa para a taxa Selic em 2027 e 2028 aponta para 10,5% e 10% anuais, respectivamente, com projeção de 9,5% em 2029.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Mercado financeiro eleva projeção de inflação para 4,17% em 2026
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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A projeção do setor financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira, foi ajustada de 4,1% para 4,17% para o ano de 2026. Essa estimativa consta no boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central (BC), que compila as expectativas de diversas instituições financeiras sobre os principais índices econômicos.

Pelo segundo período consecutivo, a perspectiva para a inflação em 2026 foi revisada para cima, influenciada pelas crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio. Apesar do aumento, o valor permanece dentro da margem estipulada para a meta inflacionária a ser alcançada pelo Banco Central.

A meta de inflação, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o limite inferior aceitável é de 1,5%, enquanto o superior é de 4,5%.

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No mês de fevereiro, a inflação oficial encerrou em 0,7%, impulsionada principalmente pelos aumentos nos setores de transportes e educação, representando uma aceleração em comparação com os 0,33% observados em janeiro. Contudo, a taxa acumulada nos últimos 12 meses registrou queda para 3,81%, situando-se abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. Saiba mais sobre a inflação oficial de fevereiro.

As projeções inflacionárias para 2027 permanecem estáveis em 3,8%. Para os anos de 2028 e 2029, as estimativas indicam 3,52% e 3,5%, nessa ordem.

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Taxa Selic

Com o objetivo de atingir a meta inflacionária, o Banco Central emprega a taxa básica de juros, a Selic, como seu principal mecanismo. Atualmente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a fixou em 14,75% anuais. Na recente reunião, o colegiado optou por uma redução unânime de 0,25 ponto percentual na Selic, embora a expectativa anterior, antes da intensificação do conflito no Irã, apontasse para um corte de 0,5 ponto.

A Selic, que chegou a 15% ao ano, alcançou seu patamar mais elevado desde julho de 2006, quando se encontrava em 15,25% anuais. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi ajustada para cima por sete vezes consecutivas, mas permaneceu inalterada nas quatro reuniões subsequentes.

A ata da reunião de janeiro do Copom indicava o início de um ciclo de redução dos juros para o mês atual. Contudo, o comunicado subsequente ao encontro revelou uma postura mais prudente, motivada pelo cenário de crescente incerteza gerado pelo conflito no Oriente Médio. O Banco Central mantém a possibilidade de reavaliar essa trajetória de queda, se as circunstâncias exigirem.

Nesta edição do boletim Focus, a projeção dos analistas de mercado para a taxa básica de juros foi revisada para cima, passando de 12,25% para 12,5% anuais até o encerramento de 2026. Para os anos de 2027 e 2028, a expectativa é que a Selic seja reduzida para 10,5% e 10% anuais, respectivamente. Já em 2029, a taxa é esperada em 9,5% ao ano.

O objetivo do Copom ao elevar a Selic é frear uma demanda excessiva, o que, por sua vez, impacta os preços. Juros mais altos tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança, mas também podem representar um obstáculo para o crescimento econômico.

Na determinação das taxas de juros aplicadas aos consumidores, as instituições bancárias levam em conta outros elementos, como o risco de calote, a margem de lucro desejada e os custos administrativos.

A redução da Taxa Selic geralmente resulta em crédito mais acessível, o que estimula tanto a produção quanto o consumo. Consequentemente, isso pode diminuir o controle sobre a inflação, mas impulsiona a atividade econômica.

PIB e câmbio

A mais recente edição do boletim do Banco Central revela que a projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira no ano corrente foi ligeiramente ajustada, de 1,83% para 1,84%. Para 2027, a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a totalidade dos bens e serviços produzidos no país, manteve-se em 1,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê uma expansão do PIB de 2% em ambos os períodos.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia do Brasil registrou um crescimento de 2,3% em 2025. Esse desempenho, marcado pela expansão em todos os setores e um notável avanço na agropecuária, consolidou o quinto ano consecutivo de crescimento econômico.

Para o encerramento do ano, a projeção do boletim Focus para a cotação do dólar é de R$ 5,40. Já para o final de 2027, a estimativa é que a moeda norte-americana alcance R$ 5,45.

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
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