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Terça-feira, 13 de Janeiro 2026

Política

PCC e Metanol: Tabata critica visão de Derrite sobre o crime

Deputada Tabata Amaral critica secretário Guilherme Derrite por descartar elo do PCC com bebidas adulteradas com metanol em SP. Entenda o debate.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
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PCC e Metanol: Tabata critica visão de Derrite sobre o crime

A crise das bebidas adulteradas com metanol em São Paulo transcendeu a esfera da saúde pública e se tornou o epicentro de um intenso debate sobre a estratégia de segurança no estado. De um lado, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) acusa o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, de desconhecer a complexa operação do crime organizado. Do outro, Derrite descarta a participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no esquema, gerando uma colisão de visões sobre como a maior facção do país realmente opera e diversifica suas fontes de renda.

O Embate Político: Divergências na Segurança Pública de SP

A recente operação policial que resultou na prisão de 41 pessoas envolvidas na falsificação de bebidas alcoólicas com metanol, uma substância altamente tóxica, trouxe à tona não apenas um grave risco à população, mas também uma profunda divergência entre figuras políticas proeminentes de São Paulo. A controvérsia gira em torno de uma questão central: o Primeiro Comando da Capital (PCC) estaria ou não por trás desse mercado mortal?

A Crítica de Tabata Amaral: "Não tem a menor ideia"

A deputada federal Tabata Amaral foi contundente em suas críticas ao secretário Guilherme Derrite. Por meio de suas redes sociais, a parlamentar afirmou que a postura do secretário revela uma incompreensão fundamental sobre a natureza do crime organizado moderno. "A coisa está feia — e é bem mais grave do que parece", alertou Tabata.

A crítica da deputada se concentrou na justificativa de Derrite para descartar o envolvimento da facção. "O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou que o PCC não poderia estar envolvido nas mortes por metanol porque bebidas não dão tanto lucro quanto a cocaína", escreveu Amaral. Para ela, essa linha de raciocínio é simplista e perigosa. "Sim, o homem responsável por comandar a segurança do nosso Estado não tem a menor ideia de como o crime organizado opera", concluiu.

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A posição de Tabata reflete a visão de muitos especialistas em segurança, que apontam que o PCC há muito deixou de ser uma organização focada exclusivamente no tráfico de drogas. A facção opera como uma grande corporação criminosa, com um portfólio diversificado de atividades ilícitas que incluem contrabando de cigarros, roubo de cargas, exploração de jogos de azar e, crucialmente, a falsificação de produtos. Essas atividades, embora individualmente menos lucrativas que o narcotráfico internacional, servem a múltiplos propósitos: lavagem de dinheiro, controle territorial e capilaridade nos bairros, consolidando o poder da organização em diversas frentes.

A Defesa de Guilherme Derrite: "Nenhum Indício"

Em contrapartida, o secretário Guilherme Derrite, durante entrevista coletiva sobre o sucesso da operação, defendeu sua posição com base nas evidências coletadas até o momento. Ele foi categórico ao afirmar que "não há participação do crime organizado nesse processo". Derrite sustentou seu argumento em dois pilares principais: o perfil dos presos e a lógica econômica do crime.

"Nenhum dos 41 presos pertence ou pertenceu a qualquer organização criminosa", declarou o secretário, indicando que as investigações não encontraram vínculos diretos dos detidos com a estrutura de comando do PCC. Além disso, Derrite focou na análise de rentabilidade. "O crime organizado no Brasil, especialmente em São Paulo, tem por objetivo principal o lucro — e esse lucro é exponencial no tráfico de drogas", explicou. "Por que uma organização criminosa que lucra exponencialmente com o tráfico de pasta base de cocaína, inclusive internacionalmente, migraria para um negócio muito menos rentável?", questionou.

Para o chefe da segurança paulista, a ausência de provas concretas e a aparente falta de atrativo financeiro são suficientes para, no momento, desassociar a facção do esquema de adulteração com metanol. "Até aqui, não há nenhum indício da participação do PCC nesse processo", reforçou.

O Caso do Metanol: Uma Crise de Saúde e Segurança

Independentemente do envolvimento ou não do PCC, a crise do metanol representa um perigo real e imediato. A operação que desmantelou a quadrilha revelou a escala da produção e distribuição dessas bebidas mortais, com a interdição de estabelecimentos até mesmo em áreas nobres da capital, como os Jardins.

O que é o Metanol e Quais os Riscos?

O metanol, também conhecido como álcool metílico ou álcool de madeira, é um composto químico utilizado como solvente industrial, anticongelante e combustível. Sua semelhança em cheiro e aparência com o etanol (o álcool presente em bebidas) o torna um substituto barato e perigoso em esquemas de falsificação.

No entanto, sua toxicidade é extremamente elevada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão de metanol, mesmo em pequenas quantidades, pode ser fatal. O corpo humano o metaboliza em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que atacam o sistema nervoso central, especialmente o nervo óptico. Os sintomas de intoxicação incluem dor de cabeça, tontura, náuseas, vômitos e, em casos graves, podem evoluir para cegueira permanente, falência de múltiplos órgãos e morte. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe categoricamente o uso de metanol em bebidas e alimentos.

A Estratégia do Crime Organizado: Além do Tráfico

O debate levantado por Tabata Amaral toca em um ponto crucial da criminologia moderna: a evolução das facções criminosas. O PCC, em particular, é estudado mundialmente por sua capacidade de adaptação e expansão. Relatórios de inteligência e estudos acadêmicos demonstram que a organização funciona com uma lógica empresarial sofisticada.

A diversificação de atividades não visa apenas o lucro direto. A falsificação de bebidas, por exemplo, pode ser uma operação de baixo custo e alto volume que permite lavar dinheiro obtido com o tráfico de drogas. Além disso, ao controlar a distribuição de produtos de consumo popular, mesmo que ilegais, a facção reforça seu domínio sobre as comunidades, eliminando concorrentes e exercendo poder de fato onde o Estado é ausente ou ineficaz. Essa estratégia de controle social e econômico é tão importante para a organização quanto o lucro bruto de uma única atividade, algo que, segundo a crítica da deputada, a análise do secretário falha em considerar.

Perguntas Frequentes

Qual a divergência entre Tabata Amaral e Guilherme Derrite?Tabata Amaral critica Derrite por ele descartar o envolvimento do PCC na adulteração de bebidas com metanol, afirmando que o secretário não compreende a diversificação de negócios do crime organizado.
Por que o metanol em bebidas é tão perigoso?O metanol é altamente tóxico. Sua ingestão, mesmo em pequenas doses, pode causar cegueira, falência de órgãos e morte, pois o corpo o transforma em substâncias que atacam o sistema nervoso.
O PCC participa de outros crimes além do tráfico de drogas?Sim. Especialistas e investigações apontam que o PCC diversifica suas atividades, incluindo contrabando, roubo de cargas, jogos de azar e falsificação de produtos para lavar dinheiro e ampliar seu controle territorial.
O que disse o secretário Derrite sobre o PCC e as bebidas falsas?Guilherme Derrite afirmou não haver indícios da participação do PCC, argumentando que os 41 presos não têm ligação com a facção e que a falsificação de bebidas é um negócio menos lucrativo que o tráfico de drogas.

Conclusão: O embate entre Tabata Amaral e Guilherme Derrite expõe a complexidade do combate ao crime organizado em São Paulo. Enquanto o secretário se baseia em evidências diretas e na lógica de lucratividade, a deputada aponta para uma visão mais ampla e estratégica do funcionamento de facções como o PCC. A resolução da crise do metanol e a correta identificação de todos os responsáveis são cruciais não apenas para a saúde pública, mas também para a definição de políticas de segurança mais eficazes e alinhadas à realidade multifacetada do crime no século XXI. Acompanhe os desdobramentos deste caso para entender o futuro da segurança pública no estado.

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FONTE/CRÉDITOS: João Vitor : Opina News
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