Após a megaoperação mais letal da história do Rio de Janeiro, que resultou em pelo menos 132 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta pressão crescente para decretar uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no estado. No entanto, o Palácio do Planalto opta por resistir a essa medida.
A decisão do governo federal de não acionar as Forças Armadas para as ruas do Rio baseia-se em temores de que a presença militar possa transformar a cidade em um verdadeiro campo de guerra. Mobilizar tanques e soldados para enfrentar civis, num cenário já marcado por denúncias de execuções e elevada violência, geraria grande desgaste político e um forte impacto negativo na imagem do país no exterior.
Em reunião emergencial no dia 28 de outubro no Palácio do Planalto, com a presença de ministros das áreas de Justiça, Segurança Pública, Direitos Humanos e Relações Institucionais, entre outros, o governo avaliou reforçar a cooperação policial e prisional, mas descartou o protagonismo militar. Também foram discutidas estratégias para apoiar as forças locais com inteligência e logística.
Interlocutores da Presidência apontam que a GLO não resolveria os problemas estruturais de segurança no Rio e possa incentivar novos confrontos e mortes, ampliando a crise humanitária. Além disso, pesa a preocupação com a responsabilidade direta do governo federal perante eventuais abusos cometidos pelas Forças Armadas durante uma intervenção deste porte.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, destacou que o decreto da GLO depende de pedido formal do governador do estado, o que até o momento não ocorreu. Ele afirmou que a operação no Rio foi “cruenta e violenta” e ressaltou a necessidade de avaliar se atos dessa natureza são compatíveis com os princípios do Estado Democrático de Direito.
Enquanto isso, o governo federal trabalha para reforçar a inteligência policial, apoiar a transferência de presos de alta periculosidade para unidades federais e aprimorar o suporte técnico e operacional às ações locais. Imagens que mostram moradores carregando dezenas de corpos pelas ruas do Rio repercutem intensamente no país e no cenário internacional, aumentando a pressão por soluções efetivas.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é a Garantia da Lei e da Ordem (GLO)?
É um instrumento que permite o uso das Forças Armadas para atuar em tarefas de segurança pública, mediante decreto presidencial e pedido do estado.
2. Por que o governo Lula resiste a decretar a GLO no Rio?
Para evitar que o Rio se transforme num campo de guerra, com grandes confrontos militares contra civis, o que causaria desgaste político e danos à imagem do Brasil.
3. Quais são as estratégias do governo frente à crise no Rio?
O governo busca reforçar a cooperação policial, aprimorar a inteligência, apoiar prisões federais e oferecer logística técnica, sem protagonismo das Forças Armadas.
4. Houve pedido do estado para a GLO?
Até o momento da reportagem, o governo do estado do Rio não fez um pedido formal para o decreto da GLO.
5. Qual foi o impacto da megaoperação recente no Rio?
Envolveu mais de 130 mortes, que geraram repercussão nacional e internacional, além de grande pressão por medidas para controlar a violência.
Conclusão
A resistência do governo Lula em decretar a GLO no Rio de Janeiro reflete o cuidado em evitar uma escalada militar que possa agravar ainda mais a crise de segurança e gerar um desgaste político irreversível. Ao priorizar o reforço da inteligência policial e a cooperação entre os órgãos de segurança, o governo aposta em uma abordagem que preserve a ordem sem recorrer a uma intervenção militar aberta, considerada um último recurso. Esta decisão acompanha os princípios do Estado Democrático de Direito e evidencia que a solução para a violência no Rio depende de estratégias integradas que vão além do uso da força.
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