Durante um evento promovido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para debater a formação de uma liga nacional, o presidente do Vasco, Pedrinho, dirigiu críticas e acusações aos presidentes do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), e ao proprietário do Botafogo, John Textor. O encontro ocorreu na sede da entidade nesta segunda-feira (06/04).
Pedrinho, que já foi um ídolo do Vasco nos anos 90 e agora lidera o clube, respondeu a comentários feitos por Bap e Textor em declarações anteriores.
Pedrinho x Bap (presidente do Flamengo): 'Arrogante e prepotente'
O mandatário do Vasco confrontou as declarações de Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Pedrinho citou uma ocasião em que, após uma derrota do Vasco para o Palmeiras por 3 a 0 no Brasileirão em 2025, o presidente do Flamengo teria sugerido que o clube carioca facilitou o resultado em troca de um empréstimo de R$ 80 milhões da Crefisa, empresa ligada a Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
“O presidente do Flamengo, e falo da pessoa, não da instituição, fez declarações repetidas vezes com uma arrogância e prepotência que me desagradam. Esperei e ouvi em silêncio para me pronunciar. Quando recebo um empréstimo da Crefisa, e este é feito porque o CDI estava mais baixo, a preocupação dele não era o empréstimo em si, mas ele insinuou que o fiz no dia em que perdemos por 3 a 0 para o Palmeiras”, explicou Pedrinho.
“Ele está colocando em dúvida o meu caráter, o do meu treinador e do elenco. Então eu deveria dizer ao meu treinador que precisamos perder? O meu treinador teria que ser desonesto e dizer aos jogadores, que são desqualificados, que devemos perder porque fiz um empréstimo de uma empresa que vive disso?”, questionou Pedrinho, demonstrando indignação.
Pedrinho x Textor (dono do Botafogo): 'Ele não vai mais brincar com o nome do Vasco'
Em outro momento da entrevista, ao abordar as dificuldades para a implementação de uma liga no futebol brasileiro, Pedrinho também criticou John Textor, proprietário da SAF do Botafogo. O presidente vascaíno também apontou o modelo de gestão do clube carioca e como isso impacta negativamente o desenvolvimento do futebol nacional.
“Atualmente, os clubes carecem de estrutura para formar uma liga. Além disso, na minha perspectiva em relação ao Botafogo, um investidor que chega para quitar dívidas e acaba causando um prejuízo enorme ao clube, sem que nenhum outro clube se disponha a ajudar... Isso não é mais uma questão esportiva, é um clube que pode se tornar uma massa falida”, avaliou Pedrinho, que classificou os envolvidos como adversários, não inimigos.
O presidente do Vasco respondeu às declarações do empresário americano sobre a disputa judicial que levou à retomada do poder do clube associativo sobre a SAF, após a 777 Partners, dona de 70% das ações, enfrentar problemas legais no exterior. Textor, que também enfrenta desafios legais para manter o controle do Botafogo, havia dito em entrevista que o clube carioca "não seria igual ao Vasco" em referência à ação que afastou o fundo americano do Vasco.
“Outro ponto é que o ainda dono do Botafogo, o Textor, desrespeita o Vasco em qualquer comentário sobre a situação do Botafogo. Não é a primeira vez. Ele não compreende o que é o Vasco para fazer certas afirmações. Tenho grande respeito pelo Botafogo e sua torcida. Por isso, manifesto minha solidariedade ao clube e ao seu presidente, João Paulo. Não sei o que acontecerá com o Botafogo e isso não me diz respeito”, declarou Pedrinho.
O dirigente vascaíno também se ofereceu para auxiliar o presidente da associação do Botafogo, João Paulo Magalhães, em um eventual processo de recuperação do clube e gestão de uma massa falida.
“Se o Botafogo entrar em processo de massa falida e o João Paulo precisar de apoio, coloco-me à disposição para colaborar. A postura dele (Textor) é de bravata, típica de gestores que por muito tempo atuaram no futebol visando agradar torcedores, o que não faz parte do meu caráter. Ele precisa respeitar profundamente o Vasco da Gama pela forma como está se comportando. Por isso, não acredito na liga, pois falta companheirismo entre nós”, concluiu Pedrinho.