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Economia

Registros de fraudes financeiras crescem 10% no Brasil com novas regras do Banco Central

Levantamento da Quod aponta que 58% das vítimas recebem até dois salários mínimos.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Registros de fraudes financeiras crescem 10% no Brasil com novas regras do Banco Central
© Joédson Alves/Agência Brasil
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O Brasil testemunhou um incremento de 10,26% nos indícios de fraudes financeiras durante o primeiro semestre de 2026, somando mais de 9 milhões de ocorrências que abrangem tanto casos suspeitos quanto confirmados. Esse volume representa um avanço significativo em comparação aos 8,26 milhões de registros do segundo semestre do ano anterior.

De acordo com a análise da Quod, uma datatech especializada em inteligência de dados para o setor de crédito, esse aumento é um reflexo direto do aprimoramento dos sistemas de detecção. A implementação da Resolução 501 do Banco Central (BC) foi crucial, pois ampliou o intercâmbio de informações entre as instituições financeiras, visando um combate mais eficaz aos golpes.

Para a Quod, a categoria "indícios" engloba tanto as suspeitas quanto as concretizações de golpes.

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Sistema colaborativo no combate às fraudes

O estudo baseou-se nos dados do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma plataforma colaborativa desenvolvida pela Quod. Ela centraliza informações sobre indícios e ocorrências de fraudes, compartilhadas por diversas instituições financeiras e empresas.

Este sistema é vital para identificar padrões de atuação criminosa, monitorar o histórico de vítimas e fraudadores, e possibilitar o bloqueio preventivo de transações suspeitas.

Além de reforçar as estratégias de prevenção, o Rufra está em conformidade com as diretrizes da Resolução 501 do Banco Central. Essa normativa fortaleceu a troca de informações entre as entidades financeiras, permitindo que tentativas de fraude antes subnotificadas fossem integradas a uma base de inteligência única, elevando a capacidade de detecção do sistema financeiro nacional.

Panorama dos principais números

  • Mais de 9 milhões de indícios de fraudes foram registrados no primeiro semestre de 2026;
  • Houve uma alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025;
  • 78% das fraudes ocorreram por meio de dispositivos celulares;
  • 94% dos casos envolveram contas correntes;
  • 85% das movimentações fraudulentas utilizaram o Pix;
  • 40% dos incidentes tiveram origem em golpes de engenharia social;
  • 3,1 milhões de indivíduos foram vítimas de fraudes no período;
  • Cerca de 799 mil vítimas sofreram golpes duas vezes ou mais.

Impacto das novas regulamentações

A Quod esclarece que o aumento nos registros não indica necessariamente uma expansão da criminalidade, mas sim uma evolução na capacidade de monitoramento do mercado financeiro.

Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, enfatiza: "O crescimento de 10% no volume de fraudes, comparado ao semestre anterior, na verdade, reflete o amadurecimento das defesas do mercado financeiro. Com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as instituições intensificaram o compartilhamento de dados via base Rufra, o que permitiu detectar e expor tentativas de golpes que antes permaneciam subnotificadas no sistema."

Celular e Pix: Canais preferenciais dos criminosos

O ambiente digital continua sendo o principal palco das fraudes financeiras no país. O celular foi o instrumento utilizado em 78% dos casos registrados, consolidando-se como o canal mais explorado pelos criminosos.

As contas correntes estiveram presentes em 94% dos indícios de fraude, enquanto o Pix foi o método de pagamento empregado em 85% das ocorrências fraudulentas.

A armadilha da engenharia social

A engenharia social permanece como a tática predominante dos golpistas. Essa estratégia, que se baseia na manipulação psicológica das vítimas para extrair informações ou induzi-las a fazer transferências, foi responsável por 40% dos registros, o que equivale a mais de 3,6 milhões de ocorrências no semestre.

Perfil das vítimas e recorrência

Os dados revelam que os jovens são os alvos mais frequentes das fraudes financeiras. Indivíduos com idades entre 18 e 34 anos constituem 49,06% das vítimas, seguidos pela faixa etária de 35 a 49 anos, que responde por 29,98% dos casos.

Em relação ao gênero, homens representam 51% dos registros, e mulheres, 48%. Notavelmente, a maioria das vítimas, 58%, possui renda de até dois salários mínimos.

O levantamento também destacou uma alta taxa de reincidência: das 3,1 milhões de pessoas que sofreram golpes no semestre, aproximadamente 799 mil – ou seja, um quarto do total – foram vítimas duas ou mais vezes.

Recomendações para prevenção

A Quod aconselha os consumidores a redobrarem a atenção em suas operações financeiras, especialmente aquelas realizadas via celular.

Danilo Coelho orienta: "Nunca tome decisões financeiras precipitadas durante o horário de trabalho, pois é um período em que os fraudadores buscam a distração das vítimas. Evite clicar em links recebidos por mensagens e jamais ceda sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, pois isso o torna cúmplice e vítima de esquemas de contas laranja."

A Quod é uma datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito. A empresa desenvolve soluções com base em inteligência artificial e análise de dados para apoiar instituições financeiras e empresas em decisões de crédito, prevenção a fraudes e recuperação de ativos.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
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