A cerimônia do Oscar 2026, realizada em Hollywood neste domingo (15/3), transformou-se em um fórum para discussões políticas antes mesmo de seus prêmios serem anunciados. Ao desfilar pelo tapete vermelho, diversos artistas aproveitaram a ampla visibilidade do evento para manifestar suas posições sobre questões globais prementes, como a imigração, conflitos armados e direitos humanos. Um dos símbolos mais notórios foi o uso de broches com a inscrição “ICE OUT”, uma clara referência ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos.
Esse lema, que tem sido associado a recentes manifestações por todo o país, clama por reformas significativas ou até mesmo pela descontinuação das operações da agência federal norte-americana, responsável pela aplicação das leis migratórias dentro do território. O ICE tem sido alvo de severas críticas por parte de grupos que denunciam práticas consideradas repressivas e desumanas contra imigrantes. A frase "ICE OUT" já marcou presença em passeatas, campanhas digitais e, agora, em eventos de grande repercussão midiática.
Estilistas, músicos e ativistas exibiram o acessório como uma forma de manifestação silenciosa. Entre as personalidades que adotaram o broche estavam a cantora Sara Bareilles e a figurinista Malgosia Turzanska, que concorria a um prêmio por seu trabalho em “Hamnet”. A escritora Glennon Doyle, por sua vez, escolheu uma abordagem mais explícita, carregando uma bolsa que ostentava uma mensagem de crítica direta à agência.
Outros convidados também aproveitaram o tapete vermelho para expressar posicionamentos relacionados a conflitos internacionais. A cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania, indicada ao Oscar de “Melhor Filme Internacional” com o docudrama “A Voz de Hind Rajab”, enfatizou que a premiação não deveria ser vista como um espaço isolado das realidades mundiais. Ela ressaltou que a ausência de um dos personagens centrais de seu filme, impedido de entrar nos Estados Unidos devido a restrições migratórias, ilustra o impacto direto das políticas governamentais americanas.
Membros do elenco da produção reforçaram o debate sobre mobilidade e direitos. Os atores Amer Hlehel e Clara Khoury criticaram as barreiras impostas a certas nacionalidades e vincularam a questão a discussões mais amplas sobre discriminação baseada em origem, religião ou etnia. Além das mensagens focadas na imigração, alguns participantes também exibiram broches que defendiam um cessar-fogo em conflitos armados, intensificando o caráter político de uma noite tradicionalmente dedicada à celebração do cinema.