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Quarta-feira, 12 de Agosto 2026
Política

Tensões nas relações entre Brasil e EUA geram debate entre Celso Amorim e oposição na Câmara

Assessor da Presidência apontou motivações políticas em sanções americanas, enquanto parlamentares criticaram alinhamento ao Brics e entraves diplomáticos.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Tensões nas relações entre Brasil e EUA geram debate entre Celso Amorim e oposição na Câmara
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados foi palco, nesta quarta-feira (12), de um intenso embate sobre o recente desgaste nas relações entre Brasil e EUA. De um lado, o assessor especial da Presidência, embaixador Celso Amorim, defendeu a soberania nacional contra sanções americanas; de outro, parlamentares oposicionistas responsabilizaram a postura diplomática do governo federal pelo acirramento das tensões.

Durante a audiência, Amorim sustentou que as barreiras econômicas aplicadas por Washington, como o reajuste tarifário, possuem nítido caráter ideológico. Segundo o diplomata, a gestão de Donald Trump busca impor submissão à América Latina e enfraquecer a autonomia dos países da região.

“O presidente Lula tem sido firme em reiterar que não aceitaremos que medidas unilaterais sejam utilizadas como pretexto para relativizar a soberania nacional ou impor constrangimentos econômicos para o nosso país”, declarou Amorim durante a sessão.

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Para fundamentar sua posição, o embaixador mencionou um vídeo divulgado pela diplomacia norte-americana na terça-feira (11). No material, lido pelo representante dos EUA no Panamá, é enfatizada a hegemonia de Washington no continente latino-americano.

“Quem tiver visto o vídeo divulgado pelo Departamento de Estado verá que o objetivo é justamente relativizar a soberania dos países latino-americanos em geral, incluindo o Brasil”, acrescentou o assessor presidencial.

Contraponto da oposição e controvérsias diplomáticas

Em sentido oposto, a bancada oposicionista atribuiu a crise à condução da política externa brasileira. O presidente da comissão, deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), afirmou que a atuação do Brasil no Brics demonstra um viés anti-ocidental desnecessário.

“A conversão do Brics em uma linha de frente anti-ocidental demonstra um padrão sistemático de anti-americanismo, que priorizou o debate retórico e a vaidade pessoal em detrimento do pragmatismo comercial”, criticou o parlamentar.

O Brics reúne emergentes como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Os integrantes costumam rebater acusações de anti-ocidentalismo, destacando parcerias estratégicas globais e a presença da Índia, aliada histórica de Washington.

Luiz Philippe solicitou ainda a aprovação do visto diplomático para Daniel Pérez, indicado pela Casa Branca para a embaixada no Brasil. O atraso na concessão levou os americanos a cancelarem o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti.

O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) também atacou a gestão federal, alegando agressão à soberania americana devido ao bloqueio de contas de empresas dos EUA no caso das ordens judiciais contra a rede X. Para ele, negar o impacto desses fatos no tarifaço é 'maquiar a realidade'.

Em resposta, Amorim negou razões ideológicas nos atritos e ressaltou a suspensão temporária de vistos para diplomatas estrangeiros até as eleições de outubro. O embaixador classificou como 'bizarra' a divulgação antecipada do enviado americano antes do aval do Itamaraty, desrespeitando normas internacionais.

“Os EUA ficaram mais de um ano e meio sem embaixador aqui. De repente, na proximidade das eleições, às pressas e sem nosso consentimento, querem credenciar outro”, pontuou Amorim, enxergando tentativa de interferência eleitoral por parte de Donald Trump.

Classificação de facções criminosas como grupos terroristas

Outro ponto central do debate foi a decisão de Washington de reclassificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Amorim alertou que o enquadramento pode ser instrumentalizado para futuras intervenções militares sob pretexto de combate ao crime.

“Determinadas interpretações extremas da classificação como terrorista já foram utilizadas para justificar operações de força em outros contextos”, alertou, citando ataques a embarcações no Caribe atribuídos pelos EUA ao narcotráfico sem apresentação de provas.

A oposição, por sua vez, defendeu a medida americana. O deputado General Girão (PL-RN) declarou existir receio de que forças especiais dos EUA atuem em solo nacional contra criminosos, posicionamento criticado por Amorim.

“Soberania é o próprio Brasil combater o problema, sem permitir que um americano, russo ou chinês venha fazer isso aqui”, rebateu Amorim, reforçando que a medida prejudica a economia nacional e atenta contra a independência do Estado.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
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