Flávio Henrique Fleury, tio de Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, o adolescente que faleceu após ser brutalmente agredido em uma confusão no Distrito Federal, concedeu uma entrevista ao Metrópoles. Nela, o fisioterapeuta teceu sérias acusações contra um amigo de Pedro Turra, ex-piloto da Fórmula Delta, de 19 anos, indicando que o óbito do sobrinho teria sido resultado de um plano motivado por ciúmes.
Conforme relato de Flávio, no dia da tragédia, Pedro Turra e seus acompanhantes teriam percorrido a área repetidamente antes de estacionar o veículo. “Eles rodaram o quarteirão à espera de Rodrigo ficar desacompanhado. É completamente desproporcional um indivíduo de 1,90m atacar um jovem de 1,65m. Isso não se tratou de uma simples briga juvenil, mas sim de uma execução”, enfatizou o tio.
O familiar expressou a expectativa de que o sistema judiciário do Distrito Federal responsabilize todos os participantes. “Anseio que a Justiça persiga o responsável [o jovem supostamente idealizador da morte]. Creio que haverá condenação. Devido à sua menoridade, penso que os pais deveriam ser responsabilizados”, declarou Flávio.
Flávio lamentou profundamente a perda do sobrinho, descrevendo o ocorrido como uma imensa injustiça. “É difícil conceber que um jovem como Rodrigo tenha sido assassinado sem motivo aparente. Um rapaz com um futuro promissor teve sua vida interrompida por uma decisão alheia”, desabafou, visivelmente abalado.
Para o fisioterapeuta, a agressão não se configurou como um ato impensado. “Desejo que compreendam que não foi uma altercação que saiu do controle. Segundo minha percepção, a morte de Rodrigo já estava premeditada”, afirmou.
O tio também abordou a eventualidade da doação de órgãos do adolescente. “Pessoalmente, considero uma iniciativa muito nobre, mas ainda não há uma decisão”, esclareceu. Ele descreveu o abalo emocional da mãe de Rodrigo, Rejane, que permanece sem condições de dialogar com parentes próximos. “Ela me informou sobre o falecimento por mensagem, mas solicitou que não a contatassem, pois está incapaz de processar a situação”, relatou.
Flávio retratou Rodrigo como um jovem vibrante e entusiasta de atividades esportivas. “Ele possuía uma conexão intensa com o futebol, era extremamente atlético, sempre em movimento. Era raro vê-lo inativo. Tenho convicção de que ele se encontra em um lugar de paz”, expressou.
Falecimento após dezesseis dias de internação
Rodrigo permaneceu hospitalizado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, em Águas Claras (DF), desde 22 de janeiro. Seu óbito foi confirmado no sábado, 7 de fevereiro, após mais de duas semanas de internação, em virtude de complicações decorrentes das agressões sofridas. Residente do Distrito Federal e aluno do Colégio Vitória Régia, o adolescente foi alvo de diversas homenagens de amigos e familiares, que organizaram vigílias diante da unidade hospitalar.
Em 30 de janeiro, os tios haviam comunicado que o jovem apresentava reações a estímulos. Contudo, os pais decidiram suspender as visitas subsequentes, visando a estabilidade do quadro clínico.
O início da altercação
Conforme apurações, o incidente teve seu princípio na noite de 22 de janeiro, quando Pedro Turra arremessou um chiclete mastigado em um amigo da vítima. Após uma série de provocações, os dois entraram em confronto físico.
Registros em vídeo do local evidenciam o instante em que Turra desfere um golpe que provoca a queda violenta de Rodrigo, que bate a cabeça contra um automóvel. O adolescente desmaiou e chegou a expelir sangue pela boca durante os primeiros socorros.
Em coletiva de imprensa, o delegado Pablo Aguiar, encarregado da investigação, revelou que o suspeito já esteve envolvido em outras ocorrências de violência e descreveu o comportamento de Turra como “sociopata”.
Decretação de prisão preventiva
Pedro Turra foi detido preventivamente em 30 de janeiro. Anteriormente, ele havia sido preso, mas obteve liberdade mediante o pagamento de fiança no valor de R$ 24 mil. Atualmente, ele segue à disposição da Justiça. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou, na sexta-feira, 6 de fevereiro, um recurso de habeas corpus apresentado pela defesa.
Conforme o Código Penal brasileiro, a infração é categorizada como lesão corporal seguida de morte, com pena de reclusão que pode variar de quatro a doze anos.
Manifestação da família do suspeito
Através de seu advogado, Daniel Kaefer, os familiares de Pedro Turra expressaram pesar pela morte do adolescente. Em comunicado oficial, manifestaram solidariedade aos pais, parentes e amigos de Rodrigo, desejando-lhes força para suportar o momento de luto.
Pedro permanece detido em uma cela individual no Complexo Penitenciário da Papuda, conforme determinação administrativa da direção da instituição carcerária.
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