A candidata à Presidência da República pela Unidade Popular (UP), Samara Martins, registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seu plano de governo para as eleições de 2026. O documento defende a superação do capitalismo e a construção do socialismo, propondo a criação da escala 4x3 de trabalho e o aumento do salário mínimo em 100%.
Com 67 páginas divididas em 18 eixos temáticos, a proposta da legenda de esquerda radical apresenta um diagnóstico severo sobre a economia de mercado. De acordo com o texto, a pobreza do povo brasileiro decorre de um modelo que privilegia interesses capitalistas em detrimento do bem-estar social.
Propostas para o mercado de trabalho
No setor trabalhista, a UP sugere a elevação imediata do piso salarial nacional para R$ 3.242, um acréscimo de R$ 1.621 sobre o valor atual. Além disso, a candidatura defende o encerramento da jornada 6x1, a implementação do regime 4x3 sem diminuição dos vencimentos e o direito ao trabalho garantido para toda a população adulta.
A chapa presidencial é formada exclusivamente por mulheres. Samara Martins, cirurgiã-dentista do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Norte, encabeça a candidatura. A vice é Raquel Brício, guarda portuária e sindicalista do Pará. Ambas representam o partido fundado em 2016.
Medidas econômicas e estatizações
Na economia, o programa prevê a suspensão do pagamento da dívida pública e a realização de uma auditoria cidadã. O partido calcula reverter R$ 2 trilhões do serviço da dívida para investimentos sociais. O plano inclui ainda o fim da autonomia do Banco Central e a estatização do sistema financeiro nacional.
O documento defende a reestatização de empresas estratégicas como Eletrobras e Petrobras, além do retorno do controle estatal sobre a Vale, ferrovias e telecomunicações. A legenda promete proibir novas privatizações, cancelar leilões de petróleo e revisar concessões de infraestrutura, incluindo portos e aeroportos.
No campo tributário, as medidas abrangem isenção de Imposto de Renda para trabalhadores, fim de tributos sobre itens essenciais e cobrança progressiva sobre grandes fortunas, dividendos e heranças de bilionários.
Direitos sociais, segurança e reforma do Judiciário
O programa estabelece diretrizes para a legalização do aborto e demarcação de terras indígenas e quilombolas com reforma agrária. Na segurança pública, sugere a desmilitarização das polícias. Para o Judiciário, a proposta orienta eleições diretas para magistrados e o fim de rendimentos acima do teto constitucional.
Por fim, na área de comunicação e cultura, o texto defende o fim do controle privado nos meios de radiodifusão e o fomento à imprensa comunitária e cultura popular.