Com o avanço da preparação para o próximo pleito, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirmou a transparência e a segurança que envolvem a urna eletrônica no Brasil. O secretário de Tecnologia da Informação da corte, Júlio Valente, explicou publicamente como funciona o processo de apuração e destacou que o sistema é descentralizado, permitindo auditabilidade contínua por partidos e entidades fiscalizadoras.
De acordo com o especialista, a contagem dos votos se inicia na própria seção eleitoral. Assim que a votação é encerrada, o equipamento imprime o Boletim de Urna (BU), documento que expõe os votos computados para cada candidato. Uma das vias impressas fica fixada na entrada do local para consulta pública.
Posteriormente, os dados gravados são criptografados e transmitidos por canais protegidos. Antes de qualquer integração ao resultado geral, o sistema realiza checagens rigorosas. O objetivo é validar se os arquivos foram realmente gerados pelo equipamento oficial designado e verificar a assinatura digital correspondente.
Valente enfatizou que a totalização não consiste em uma mera soma automatizada. O procedimento inclui verificações de autenticidade e oferece cerca de 40 oportunidades distintas de auditoria e acompanhamento externo para os partidos políticos e órgãos de fiscalização.
Outra importante camada de proteção mencionada é a identificação biométrica. O mecanismo busca assegurar que apenas o eleitor habilitado possa liberar o sistema. Em eventual falha de leitura, o mesário pode autorizar o procedimento manualmente, registrando a ocorrência no sistema.
Preservação de dados e recontagem
Caso existam questionamentos formais sobre os resultados, a Justiça Eleitoral prevê procedimentos de checagem. Os registros digitais das urnas permanecem lacrados e conservados após o pleito, permitindo eventuais auditorias independentes ou recontagens justificadas.
O secretário relembrou ainda que a implementação do voto impresso foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, testes efetuados em 2002 demonstraram que impressoras acopladas geraram falhas técnicas e elevaram os índices de travamento dos equipamentos.
Histórico sem fraudes e desinformação
Em resposta às dúvidas sobre a confiabilidade do sistema, Valente destacou que não existe qualquer registro de fraude comprovada nas urnas eletrônicas desde a sua introdução no país, ocorrida em 1996.
Ele relembrou que a tecnologia substituiu as antigas cédulas de papel, modelo que apresentava histórico documentado de irregularidades durante a coleta e contagem. Para a Justiça Eleitoral, a participação ativa de entidades parceiras reforça a legitimidade do processo votacional brasileiro.