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Sábado, 11 de Abril 2026

Economia

Analistas do mercado financeiro revisam para cima a projeção de inflação para 2024

Estimativa para o IPCA atinge 4,36%, marcando a quarta alta consecutiva, influenciada por incertezas globais e conflitos no Oriente Médio.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Analistas do mercado financeiro revisam para cima a projeção de inflação para 2024
© Joédson Alves/Agência Brasil
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial da inflação brasileira, teve sua projeção para o ano de 2024 ajustada para 4,36%, um aumento em relação aos 4,31% anteriores. Essa atualização foi revelada no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) na última segunda-feira (6), que compila as expectativas de diversas instituições financeiras sobre os principais índices econômicos.

A elevação da estimativa inflacionária, que ocorre pela quarta semana consecutiva, é atribuída em parte às crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio. Apesar disso, o novo patamar ainda permanece dentro da faixa de tolerância estabelecida para a meta de inflação do Banco Central.

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta central para a inflação é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Isso significa que o limite inferior aceitável é de 1,5%, e o superior, de 4,5%.

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No mês de fevereiro, a inflação oficial registrou alta de 0,7%, impulsionada principalmente pelos setores de transportes e educação, representando uma aceleração em comparação com os 0,33% observados em janeiro. Contudo, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses apresentou uma desaceleração, atingindo 3,81%, patamar que não era visto abaixo de 4% desde maio de 2023.

Os dados da inflação referentes a março, que poderão refletir os primeiros efeitos do conflito no Oriente Médio, serão divulgados na próxima quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As projeções para a inflação futura também foram ligeiramente ajustadas, com a estimativa para 2027 passando de 3,84% para 3,85%. Para os anos de 2028 e 2029, as previsões se mantêm em 3,6% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic

A principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação e atingir suas metas é a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está fixada em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na reunião anterior, o colegiado optou por uma redução unânime de 0,25 ponto percentual na Selic. Contudo, antes do agravamento do conflito no Irã, a maioria dos analistas esperava um corte mais expressivo, de 0,5 ponto.

A Selic, que já esteve em 15% ao ano, representou o maior nível desde julho de 2006, quando foi fixada em 15,25% ao ano. Em um ciclo anterior, a taxa foi elevada por sete vezes consecutivas, mas permaneceu inalterada nas quatro reuniões subsequentes.

Após um longo período de estabilidade, sinais apontavam para o início de um novo ciclo de cortes na taxa. No entanto, as incertezas geradas pelo cenário de conflito no Oriente Médio levam o Banco Central a considerar a possibilidade de reavaliar essa trajetória de queda, se a situação assim exigir.

A próxima reunião do Copom para deliberar sobre a Selic está agendada para os dias 28 e 29 de abril.

Conforme o Boletim Focus mais recente, a projeção dos especialistas do mercado para a taxa básica de juros até o final de 2026 manteve-se em 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a expectativa é de que a Selic seja gradualmente reduzida para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a previsão é de que a taxa alcance 9,75% ao ano.

O aumento da Selic pelo Copom visa principalmente frear uma demanda excessiva, o que, por sua vez, impacta os preços. Juros mais elevados tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança, podendo, contudo, desacelerar o crescimento econômico.

Ao estabelecer as taxas de juros para os consumidores, as instituições bancárias levam em conta outros elementos, como o risco de inadimplência, suas margens de lucro e as despesas administrativas.

Por outro lado, a redução da Taxa Selic tende a baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo. Isso pode aliviar a pressão sobre a inflação e impulsionar a atividade econômica.

PIB e câmbio

Na edição atual do boletim do Banco Central, a projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira em 2024 permaneceu estável em 1,85%.

A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a totalidade dos bens e serviços produzidos no país, para 2027 é de 1,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê uma expansão de 2% para cada um desses anos.

Segundo o IBGE, a economia brasileira expandiu 2,3% em 2023, com um desempenho positivo em todos os setores e notável contribuição da agropecuária, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento.

Nesta edição do Boletim Focus, a cotação do dólar é projetada em R$ 5,40 para o encerramento de 2024. Para o final de 2027, a estimativa é que a moeda norte-americana esteja em R$ 5,45.

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
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