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Sábado, 05 de Setembro 2026
Economia

Apenas 19% dos motociclistas de aplicativo têm cobertura previdenciária no país

Dados do IBGE indicam que a categoria trabalha quase 45 horas por semana para obter uma renda média mensal de R$ 2.221, exposta a riscos diários sem proteção social.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Apenas 19% dos motociclistas de aplicativo têm cobertura previdenciária no país
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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Apenas 19,4% dos motociclistas que trabalham por aplicativos no Brasil possuem cobertura previdenciária, apontou a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (4). Dos 405 mil profissionais atuantes na entrega de comida, produtos ou transporte de passageiros em 2025, apenas 79 mil contam com amparo previdenciário público, revelando a vulnerabilidade social e trabalhista da categoria diante de riscos diários da profissão.

O patamar de proteção registrado entre os condutores plataformizados é drasticamente inferior ao da média do mercado de trabalho nacional. Para efeito de comparação, a taxa de contribuição entre as pessoas ocupadas no setor privado do país chega a 62,4%. Quando analisado todo o contingente de motociclistas brasileiros, integrados a plataformas digitais ou não, o índice atinge 31%.

A ausência de recolhimento previdenciário desampara o trabalhador em momentos de necessidade. Ao contribuir regularmente para a previdência social, o profissional garante acesso a direitos fundamentais como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária e pensão por morte para seus dependentes.

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O analista da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Gustavo Geaquinto Fontes, destacou a gravidade desse cenário. Segundo o especialista, a reduzida proporção de motoristas e entregadores protegidos pela previdência contrasta fortemente com os altos riscos operacionais, como acidentes de trânsito aos quais os motociclistas estão constantemente expostos no dia a dia.

Apesar da baixa proteção, a frota de entregadores de app cresceu expressivamente. Entre 2024 e 2025, o número de motociclistas plataformizados subiu 15,4%. Em um recorte mais amplo, a categoria praticamente dobrou em três anos, saltando de 211 mil trabalhadores em 2022 para 405 mil no levantamento de 2025.

Vale ressaltar que os dados do IBGE integram uma pesquisa experimental sobre trabalho por meio de plataformas digitais, com metodologia em fase de avaliação. O instituto reforça que não houve coleta de dados referente ao ano de 2023.

Jornada de trabalho e remuneração mensal

No quesito financeiro, os motociclistas de aplicativos registraram rendimento médio líquido de R$ 2.221 por mês, valor apurado após o desconto das despesas operacionais, como combustível. A jornada semanal dessa categoria atingiu a média de 44,9 horas, ligeiramente superior às 41,1 horas cumpridas pelos motociclistas informais ou tradicionais.

Em termos de rendimento por hora trabalhada, os motociclistas ligados aos aplicativos receberam R$ 11,40 em média. O montante representa um valor 12,9% superior ao ganho por hora dos profissionais não plataformizados, que ficou em R$ 10,10.

Cenário entre os motoristas de aplicativo

A pesquisa da Pnad Contínua também mapeou o perfil dos motoristas de aplicativo no Brasil. Esse grupo alcançou 905 mil pessoas em 2025, apresentando uma alta de 9,8% em relação ao ano anterior e uma expansão de 26% em relação a 2022, quando somava 718 mil condutores.

Entre os motoristas de quatro rodas, o acesso à previdência social é similarmente reduzido: apenas um em cada quatro trabalhadores (25,5%) possui cobertura previdenciária. Entre a totalidade dos motoristas do país, o índice chega a 43,8%.

Ao contrário dos motociclistas, os motoristas de aplicativos ganham menos por hora do que seus pares fora das plataformas. Com uma jornada de 45,9 horas semanais, eles registraram R$ 14,40 por hora, frente a R$ 16,00 dos não plataformizados. No entanto, devido à longa jornada, a remuneração mensal fechou em R$ 2.873, valor 2,4% acima da média dos motoristas tradicionais.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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