Em um momento de crescimento dos debates sobre saúde mental, ansiedade e isolamento social, iniciativas inspiradas no pensamento de Nise da Silveira reforçam o papel da arte como ferramenta de cuidado, expressão e reintegração social. Quase 30 anos após a morte da psiquiatra alagoana, considerada uma das maiores referências mundiais na humanização do tratamento psiquiátrico, ações culturais e formativas atualizam seu legado no Rio de Janeiro.
Entre essas iniciativas está o projeto Ato Futuro, realizado no Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, no Engenho de Dentro, espaço historicamente ligado à trajetória da médica, desde 2023. Desenvolvido em parceria com a Escola de Artes Celso Lisboa, o projeto promove atividades artísticas e ações de integração entre usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), estudantes e a comunidade, utilizando a arte como instrumento de expressão, pertencimento e cuidado em saúde mental. Neste ano, a iniciativa ganhou reforço por meio do apoio da Secretaria Especial de Integração Metropolitana, que ampliou a programação com novas oficinas, palestras e a produção de um curta-documentário.
“Quando falamos da arte como ferramenta de cuidado, estamos retomando diretamente o legado de Nise da Silveira, que foi uma das primeiras a utilizar a arte no tratamento de pessoas com sofrimento psíquico. A proposta é fazer com que, por meio da arte, pessoas em sofrimento psíquico possam ser acolhidas, ouvidas e descubram potencialidades muitas vezes adormecidas dentro de si”, afirma João Marcelo Pallottino, diretor do projeto Ato Futuro.
Iniciativas inspiradas nesse segmento têm ganhado força em meio ao aumento dos debates sobre ansiedade, burnout, depressão e isolamento social, especialmente após a pandemia. Oficinas de teatro, música, audiovisual e expressão corporal são verdadeiras ferramentas complementares de cuidado emocional, fortalecimento da autoestima e promoção de pertencimento coletivo.
Além das oficinas, o projeto promoveu uma palestra, na última sexta (12), na Universidade Celso Lisboa, no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, sobre “Arte, Educação e Saúde Mental: Modos Criativos de Existência”. O encontro gratuito reuniu João Pallottino, diretor do projeto Ato Futuro, Adriana Lemos, coordenadora do Museu de Imagens e do Inconsciente, e Raquel Stoerke, coordenadora de psicologia da Celso Lisboa.
Sobre o projeto Ato Futuro
O Ato Futuro, concebido pelo Centro Universitário Celso Lisboa, é um projeto formativo e social que atua na interseção entre arte, educação e saúde mental, promovendo experiências de criação, troca e capacitação abertas à comunidade. Realizado em um espaço público de referência, como o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, o projeto busca ampliar o acesso à cultura e fortalecer práticas de cuidado por meio da arte.
Website: https://escoladeartes.celsolisboa.edu.br/