O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi transferido nesta sexta-feira (6) para a Penitenciária Federal de Brasília. Ele permanecerá recluso na unidade de segurança máxima enquanto prosseguem as investigações acerca de um alegado esquema bilionário de fraudes financeiras que envolvem sua instituição.
Registros fotográficos divulgados pela imprensa mostram o empresário já no sistema prisional de São Paulo. As imagens revelam Vorcaro com o cabelo cortado, uma medida rotineira para todos os custodiados. O processo de entrada incluiu procedimentos obrigatórios como revista pessoal, inspeção de pertences, higienização, registro fotográfico e coleta de impressões digitais.
Antes de ser levado à capital federal, Vorcaro passou por unidades prisionais em Guarulhos e em Potim, no interior paulista. Sua saída do presídio de Potim ocorreu por volta das 11h30 desta sexta-feira, e a aeronave com o investigado aterrissou no Distrito Federal durante a tarde.
Transferência autorizada pelo STF
A remoção foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão acolheu um pedido da Polícia Federal, que justificou a medida pela necessidade de assegurar a integridade física do investigado.
Segundo a corporação, Vorcaro detém forte articulação e influência sobre agentes públicos e privados, o que poderia facilitar a interferência direta ou indireta nas investigações ou no cumprimento de determinações judiciais, caso ele permanecesse em um presídio estadual.
Em sua decisão, o ministro citou que a legislação permite a inclusão de presos em estabelecimentos federais de segurança máxima quando a medida se justifica no interesse da segurança pública ou do próprio detento.
Operação apura esquema bilionário
Vorcaro foi detido novamente na quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura a possível atuação de uma organização criminosa envolvida em crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça e invasão de dispositivos informáticos.
Além do banqueiro, outras três pessoas foram presas na mesma operação: Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão Moraes e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
De acordo com a Polícia Federal, Mourão Moraes, conhecido como “Sicário”, tentou tirar a própria vida enquanto estava sob custódia das autoridades e foi encaminhado a um hospital. Segundo a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, ele seguia internado em estado gravíssimo em um centro de terapia intensiva.
Defesa critica vazamento de imagens
Em nota, a defesa de Vorcaro declarou ter recebido com surpresa e indignação a divulgação das fotos do empresário dentro do sistema prisional.
De acordo com os advogados, os vazamentos representariam uma tentativa de expor e desgastar a imagem de seu cliente. A defesa também informou que solicitará novamente a abertura de um inquérito para apurar a divulgação de informações consideradas sigilosas.
Os representantes do banqueiro afirmaram ainda confiar no Estado Democrático de Direito e defender o respeito à integridade das pessoas que estão sob custódia do Estado.
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