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Sexta-feira, 11 de Setembro 2026
Esportes

Bortoleto encara circuito mais arriscado da F1 e dispara: “Não tem como ter medo”

Brasileiro da Audi estreia no circuito de Madring, em Madri, e brinca ao revelar que só sente medo de uma coisa: tubarão

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Bortoleto encara circuito mais arriscado da F1 e dispara: “Não tem como ter medo”
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Gabriel Bortoleto terá neste fim de semana um dos desafios mais diferentes de sua temporada de estreia na Fórmula 1. O brasileiro da Audi vai acelerar pela primeira vez no circuito de Madring, em Madri, palco do primeiro Grande Prêmio da Espanha realizado na capital espanhola. Com um traçado novo para todo o grid e considerado um dos mais desafiadores do calendário, a pista exige precisão dos pilotos, já que reúne trechos de alta velocidade, 22 curvas e muros bastante próximos.

Apesar da dificuldade e dos riscos naturais de um circuito de rua, Bortoleto garante que o medo não faz parte da preparação para entrar no carro. Em entrevista exclusiva ao “ge”, o brasileiro afirmou que quem sente medo ao acelerar em uma pista de Fórmula 1 está na profissão errada. E ainda revelou, em tom de brincadeira, que existe apenas uma coisa capaz de assustá-lo.

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Gabriel Bortoleto sofre acidente durante corrida em InterlagosFoto/Instagram/@gabrielbortoleto_
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Gabriel Bortoleto brilha e garante oitavo lugar em MonzaReprodução/X: @stakef1team_ks
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“Na pista não tem como você ter medo, se você tem medo você não está fazendo o esporte certo, no final das contas. É óbvio que a sensação de você estar numa pista nova, circuito de rua, é sempre muito desafiador, mas medo não, só de tubarão. Acho que vi muitos filmes de terror de tubarão quando eu era pequeno”, brincou Bortoleto, em entrevista exclusiva ao “ge”.

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Circuito desafia pilotos

O Madring tem 5,416 quilômetros de extensão e 22 curvas, com uma combinação de trechos de alta velocidade, áreas estreitas e pouca margem para correção. Como acontece em outros circuitos de rua, qualquer erro pode ter consequência imediata, já que os muros ficam próximos da pista.

A dificuldade já havia aparecido durante os testes das categorias de base. Em apenas dois dias de atividades da Fórmula 3 no novo circuito, foram registradas 19 bandeiras vermelhas. O cenário chamou a atenção de pilotos experientes da Fórmula 1 antes mesmo da estreia oficial da categoria em Madri.

George Russell, da Mercedes, chegou a se surpreender com a quantidade de incidentes na F3 e avaliou que o circuito pode ser um dos mais arriscados da temporada. Carlos Sainz, que participou do desenvolvimento da pista, também destacou os desafios impostos pelo desenho do traçado e pela proximidade das barreiras.

Aposta na confiança

Para o brasileiro, a adaptação a uma pista inédita passa principalmente pela confiança construída desde as primeiras voltas. Em um circuito de rua, começar bem pode ser determinante para encontrar rapidamente os limites do carro.

“O mais importante em pistas novas, principalmente pistas de rua, é você já começar lá no topo, porque quando você começa lá em cima com uma confiança boa, você constrói dali em diante. Quando você começa embaixo normalmente é complicado para você chegar a tempo. Na pista não tem como você ter medo, se você tem medo você não está fazendo o esporte certo, no final das contas”, constatou.

Outro fator que torna a estreia peculiar é a ausência de referências anteriores. Diferentemente de circuitos tradicionais, os pilotos não têm dados de corridas anteriores da Fórmula 1 em Madring para comparar comportamento do carro, pneus e limites de cada curva.

O traçado ainda conta com a La Monumental, trecho que chama atenção pelo formato e pelas características particulares. A área tem aproximadamente 550 metros e inclinação de 24%, criando uma passagem que lembra, em certa medida, um pequeno oval.

Bortoleto reconheceu a particularidade da pista e comparou a experiência com um trecho conhecido do automobilismo brasileiro: “A La Monumental é impressionante. Vai ser muito divertido. O Bacião (em Cascavel) lembra um pouco, só não tem muita inclinação como aqui. Madring é uma pista muito única nesse sentido. Eu acho que por isso que também é tão desafiador, mas não me vem na cabeça nenhuma pista parecida.”

Adrenalina faz piloto “desligar”

Mesmo com os riscos, Bortoleto explicou que a concentração durante uma volta é tão grande que praticamente não sobra espaço para pensar no perigo. Segundo ele, a adrenalina toma conta assim que o capacete é fechado.

“Isso acontece com toda certeza. Acho que você está numa adrenalina tão grande, em um momento tão tenso ali que, assim que fecha o capacete, você desliga e você só acorda de novo quando o carro para”, pontuou.

A expectativa do brasileiro também passa pela possibilidade de somar pontos com a Audi. Bortoleto acredita que a falta de referências do circuito pode equilibrar a disputa entre as equipes, já que todos os pilotos precisarão descobrir juntos os limites do novo traçado.

“Acho que sim, temos boas chances de lutar por pontos neste final de semana. A gente sabe que cada vez tem ficado mais apertado entre as equipes, mas eu estou otimista. É uma pista nova para todo mundo e a gente tem um bom grupo hoje de engenheiros para acertar o carro junto comigo. Estou animado, acho que esse final de semana vai ser interessante também”, concluiu.

A estreia do Madring, portanto, coloca Bortoleto diante de uma pista em que experiência anterior praticamente não existe. Entre muros próximos, curvas inéditas e um traçado que já chamou atenção pelos incidentes nas categorias de base, o brasileiro chega ao fim de semana apostando justamente no que considera essencial para sobreviver ao desafio: confiança, precisão e, aparentemente, manter os tubarões bem longe.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Silva
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