Nesta quinta-feira (3), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por votação simbólica, a Medida Provisória (MP) conhecida como taxa das blusinhas, que isenta o imposto de 20% sobre compras internacionais via internet de até 50 dólares (equivalente a R$ 257). A matéria agora avança para o Senado Federal, onde será submetida à apreciação dos parlamentares.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ressaltou a importância dessas compras de baixo valor. Ele as descreveu como uma alternativa crucial de consumo, especialmente para cidadãos de menor poder aquisitivo.
Motta enfatizou que muitos brasileiros enfrentam diariamente a pressão sobre o orçamento familiar. Para eles, o comércio eletrônico internacional oferece uma via para adquirir produtos essenciais a preços mais competitivos.
Em relação às preocupações da indústria e do varejo nacionais, setores que se opõem ao fim da taxação, Motta afirmou que o debate continuará. O objetivo é conciliar a proteção do poder de compra das famílias com a manutenção da competitividade da produção brasileira.
É fundamental que a MP seja aprovada tanto na Câmara quanto no Senado. O prazo final para sua validação é 8 de setembro, data limite para que a medida não perca sua eficácia legal.
Alterações e emendas na proposta
Durante sua tramitação no Legislativo, o texto original da Medida Provisória passou por importantes modificações. Essas alterações foram conduzidas pela relatora na comissão especial mista, a senadora Leila Barros (PDT-DF).
Entre as principais novidades introduzidas está uma emenda significativa. Ela estabelece a isenção do imposto de importação para medicamentos que não possuem uma versão similar disponível no mercado brasileiro.
Além disso, a MP aprovada inclui uma redução substancial na alíquota de importação. Para compras de até US$ 3 mil realizadas via remessas postais do exterior, a taxa foi diminuída de 60% para 30%.
Outro ponto relevante adicionado ao texto é a previsão de uma avaliação periódica. O Ministério da Fazenda será responsável por analisar os efeitos econômicos decorrentes da isenção tarifária implementada pela MP.
Contrariamente, parlamentares da oposição expressaram críticas contundentes ao teor da medida. Eles argumentam que a proposta concede vantagens indevidas a empresas estrangeiras, prejudicando a indústria nacional.
O deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) exemplificou essa preocupação. Ele defendeu que o benefício fiscal concedido a produtos importados deveria ser estendido à produção nacional, incentivando quem investe e gera empregos no Brasil.