Mesmo com o avanço da ciência e a existência de medicamentos eficazes para o controle da doença, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não oferece tratamento medicamentoso gratuito para obesidade.
Agora, uma nova campanha nacional liderada por entidades médicas, pacientes e especialistas em saúde pública levanta uma pergunta urgente:
Por que uma das doenças que mais cresce no Brasil ainda está sem tratamento adequado no SUS?
🚨 Uma Doença, Nenhum Remédio no SUS
A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença crônica, multifatorial e progressiva. Ela está diretamente associada a mais de 200 outras condições de saúde, incluindo diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer.
Apesar disso, não há nenhum medicamento aprovado para tratamento da obesidade disponível na rede pública de saúde brasileira.
“É como se a obesidade não fosse levada a sério”, afirma a endocrinologista Dra. Carla Fernandes. “Negar tratamento medicamentoso é negar dignidade e chance de reversão ao paciente.”
📣 A Campanha Ganha Força Nacional
A iniciativa chamada “Obesidade Tem Tratamento” vem ganhando força nas redes sociais, imprensa e na comunidade científica. A proposta é clara: incluir medicamentos como semaglutida e liraglutida no rol do SUS, medicamentos já aprovados pela Anvisa e utilizados com sucesso em redes privadas e sistemas públicos de outros países.
A campanha está sendo encabeçada por:
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Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
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Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO)
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Fóruns de pacientes e influenciadores digitais da área da saúde
🏥 Impactos da Falta de Acesso
A ausência de medicamentos para obesidade no SUS aprofunda desigualdades sociais, já que o acesso ao tratamento fica restrito à população que pode pagar por consultas e medicamentos caros — alguns ultrapassando R$ 1.500 por mês.
Além disso, os custos com internações, cirurgias bariátricas e complicações decorrentes da obesidade sobrecarregam o sistema público de saúde. A estimativa é que o Brasil gaste mais de R$ 2 bilhões por ano apenas com doenças associadas à obesidade.
“Tratar a obesidade com medicamentos é custo-efetivo. Evita mortes, internações e melhora a qualidade de vida da população”, destaca o economista da saúde Dr. Felipe Meira.
💊 Medicamentos em Questão: O Que Diz a Ciência?
A semaglutida, popularizada pelo nome comercial Ozempic (e sua versão para obesidade, Wegovy), é um dos tratamentos com mais evidência científica atualmente. Estudos mostram que pacientes conseguem reduzir até 15% do peso corporal em 12 meses, com melhora significativa nos marcadores metabólicos.
Já a liraglutida, usada sob prescrição no Brasil desde 2016, também é eficaz, embora com menor percentual de perda de peso.
Ambos já foram aprovados pela Anvisa, FDA e EMA, sendo recomendados pelas principais diretrizes médicas.
📊 A Luta Vai Além dos Remédios
Os especialistas alertam que a campanha não defende a medicalização como única saída, mas sim a oferta de múltiplas ferramentas de tratamento, respeitando a complexidade da obesidade.
O tratamento deve incluir:
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Acompanhamento multidisciplinar com nutricionista, psicólogo e educador físico;
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Mudança de estilo de vida com suporte profissional;
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E, quando necessário, o uso seguro de medicamentos aprovados e eficazes.
🔚 Conclusão: Hora de Mudar a História
A obesidade já não pode mais ser vista como “falta de força de vontade” ou “problema estético”. É uma doença crônica, com causas biológicas, sociais e ambientais, e deve ser tratada como tal.
A campanha pela inclusão de medicamentos no SUS é um passo crucial para reduzir desigualdades, salvar vidas e economizar recursos públicos.
📌 A pergunta agora é: o governo vai ouvir?