O falecimento do cão Orelha, vítima de uma agressão brutal na Praia Brava, em Florianópolis (SC), desencadeou uma forte comoção em todo o país. O incidente trouxe à tona, novamente, a discussão acerca das sanções aplicáveis a adolescentes envolvidos em atos de crueldade contra animais.
- A Polícia Civil está realizando diligências e cumprindo mandados relacionados à apuração da morte do cão Orelha.
Com o intuito de elucidar os aspectos legais do ocorrido, o portal BacciNotícias conversou com a advogada Silvana Campos, que possui expertise em Direito Criminal. A especialista enfatiza que, embora a condição de adolescentes dos supostos agressores modifique o procedimento legal, isso não os exime de enfrentar consequências sérias.
Ato infracional e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
Ao contrário dos indivíduos maiores de idade, que são julgados conforme o Código Penal, os jovens com menos de 18 anos estão sujeitos às diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Desse modo, suas condutas não são classificadas como "crime" no sentido jurídico tradicional, mas sim como ato infracional.
Silvana Campos esclarece: "Devido à condição de adolescentes, os envolvidos não podem ser processados sob as leis penais aplicáveis a adultos. Se ficar comprovado que os maus-tratos causaram a morte do cão Orelha, essa ação será considerada um ato infracional análogo ao crime qualificado de maus-tratos a animais".
Medidas socioeducativas e a possibilidade de internação
A advogada destaca que a natureza hedionda da ação, caracterizada por violência e crueldade extremas, confere à Justiça a prerrogativa de impor as sanções mais severas contempladas pelo Estatuto.
Conforme Campos, "As medidas socioeducativas são determinadas pela seriedade do ato cometido e pelo nível de envolvimento de cada participante. Neste cenário, estamos diante de uma conduta equiparada a um delito grave. Considerando a brutalidade que culminou na morte do animal, existe a base legal para a aplicação da medida de internação em uma instituição socioeducativa".
A internação representa a penalidade mais rigorosa dentro do sistema, com duração máxima de três anos e revisões regulares. Adicionalmente à internação, os jovens podem ser encaminhados para outras intervenções, como a liberdade assistida ou a execução de serviços comunitários.
O inquérito prossegue sob a responsabilidade das autoridades de Santa Catarina, que estão empenhadas em identificar todos os indivíduos que participaram da agressão que resultou na morte do animal.
Para aprofundar-se no tema, acesse BacciNotícias:
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