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Terça-feira, 21 de Abril 2026
Economia

Crescimento da indústria em janeiro não compensa perdas acumuladas

O levantamento do IBGE apontou a expansão de 6,2% no setor químico, impulsionada principalmente pela produção de adubos e fertilizantes.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Crescimento da indústria em janeiro não compensa perdas acumuladas
© Wilson Dias/Agência Brasil
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A atividade industrial brasileira registrou um crescimento de 1,8% em janeiro, refletindo um desempenho positivo em algumas categorias econômicas na comparação com dezembro. Contudo, esse avanço não foi suficiente para compensar integralmente as perdas acumuladas pelo setor no final de 2025, mantendo um saldo negativo de 0,8%.

“O avanço observado em janeiro de 2026 é relevante, mas ainda não consegue reverter por completo a perda acumulada entre setembro e dezembro do ano passado, mantendo um déficit de 0,8%”, explicou André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (6).

Entre os setores que apresentaram os avanços mais notáveis, o levantamento indicou a expansão das indústrias de produtos químicos (6,2%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,3%), e também de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2%).

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Em uma análise mais detalhada, o setor químico se destacou pela produção de adubos, fertilizantes, herbicidas e fungicidas, itens diretamente relacionados à atividade agrícola. No segmento automobilístico, o foco esteve na fabricação de caminhões e autopeças. A indústria extrativa também contribuiu positivamente, especialmente na produção de derivados de petróleo, coque e biocombustíveis.

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Conforme André Macedo, embora não tenha sido suficiente para reverter as perdas acumuladas no final do ano anterior, o incremento em janeiro foi impulsionado pelo retorno da produção, após o período de férias coletivas em dezembro.

"O panorama dos resultados deste mês é positivo, relevante e abrangente entre as principais categorias econômicas, que registraram crescimento, mas isso não anula o histórico recente de perdas", avaliou o gerente.

Em contrapartida, a atividade industrial registrou recuo em seis segmentos. O impacto negativo mais expressivo, pelo segundo período consecutivo, partiu do setor de máquinas e equipamentos, com uma queda de 6,7%. As maiores perdas nessa área ocorreram em bens de capital para uso industrial e agrícola, fato que "guarda relação com o movimento de aumento de taxas de juros", conforme explicou André Macedo, do IBGE. A política monetária de juros elevados eleva o custo de empréstimos e do crédito.

Na comparação anual, entre janeiro de 2026 e janeiro de 2025, o crescimento foi de modestos 0,2%. Apesar de discreto, esse percentual quebra uma sequência de quedas, mesmo com a predominância de taxas negativas em duas das quatro grandes categorias econômicas e em 17 dos 25 ramos analisados, segundo o gerente.

Para essa análise, contribuíram tanto a menor quantidade de dias úteis em janeiro deste ano quanto uma base de comparação mais elevada em 2025. Em janeiro do ano anterior, a indústria nacional havia crescido 1,3% nessa mesma comparação.

Em uma perspectiva de longo prazo, o IBGE constatou que, em 12 meses, a indústria cresceu 0,5%, o 26º resultado positivo, porém com uma notável perda de intensidade, ponderou Macedo. Ele recordou que, nessa mesma comparação, o aumento foi de 3,1% em dezembro de 2024 e de 2,9% em janeiro de 2025, sinalizando "uma trajetória descendente".

Para o futuro, o gerente André Macedo ressalta que o cenário econômico nacional é marcado por incertezas, especialmente devido aos potenciais impactos do conflito no Oriente Médio, região que concentra a maior parte das reservas globais de petróleo.

"Eventos externos [como a guerra] que afetem o comércio internacional, elevem os custos ou diminuam a oferta de matérias-primas podem acarretar impactos negativos na indústria e na economia como um todo", concluiu.

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil
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