O desenvolvimento da inteligência artificial tem intensificado um problema que preocupa especialistas em tecnologia e segurança digital: a produção de deepfakes pornográficos. Esses vídeos íntimos falsos são criados por softwares que conseguem sobrepor o rosto de qualquer indivíduo em cenas de cunho sexual.
A discussão sobre essas ferramentas deixou de focar apenas na sua sofisticação técnica em 2026. A principal apreensão agora reside na facilidade com que esse tipo de manipulação se tornou um serviço acessível na internet.
Atualmente, aplicativos capazes de alterar imagens e vídeos são facilmente encontrados em lojas de aplicativos. Em janeiro deste ano, mais de 50 programas com essa finalidade estavam disponíveis para download no Google Play e 47 na App Store, nos Estados Unidos.
Adicionalmente, anúncios que oferecem serviços de manipulação de rostos em vídeos têm surgido em sites de conteúdo adulto, expandindo o acesso a essas tecnologias.
Profissionais da área afirmam que, quando essa tecnologia se torna um aplicativo ou serviço online, o seu uso indevido deixa de ser um evento isolado e passa a ser visto como um consumo corriqueiro.
De celebridades a pessoas comuns
Embora figuras públicas sejam frequentemente as vítimas desses vídeos manipulados, especialistas alertam que qualquer pessoa pode ser alvo desse tipo de conteúdo.
Existem plataformas que permitem aos usuários enviar fotografias de colegas, conhecidas ou até mesmo ex-parceiras para a criação de imagens íntimas falsificadas. Dessa forma, a proximidade entre o criador do conteúdo e a vítima aumenta o interesse na disseminação desse material.
Crenças que alimentam o problema
Pesquisas indicam que uma parcela significativa da população ainda não compreende a gravidade dessa prática.
Um estudo conduzido pela University College Cork, com mais de dois mil participantes, revelou que certas crenças, como a ideia de que figuras públicas são alvos aceitáveis, elevam a probabilidade de indivíduos assistirem, criarem ou compartilharem deepfakes pornográficos.
Para os pesquisadores, o enfrentamento desse problema requer um esforço conjunto de maior regulamentação e educação digital.
Maioria dos deepfakes é pornográfica
Um projeto desenvolvido pelo instituto alemão ITAS-KIT, em colaboração com universidades, estima que aproximadamente 98% dos deepfakes existentes são de natureza pornográfica.
Segundo os especialistas, o dano causado por esse material não depende da crença de que o vídeo seja autêntico.
A violência inerente à tecnologia reside na criação de uma falsa intimidade e na exposição sexualizada e não autorizada do corpo da vítima.
Desafios para punir os responsáveis
Apesar da crescente incidência do problema, especialistas apontam que a responsabilização dos envolvidos ainda enfrenta barreiras significativas.
Entre as principais dificuldades estão o anonimato proporcionado pela internet, a rápida disseminação do conteúdo e a subnotificação, uma vez que muitas vítimas relutam em formalizar denúncias.
Essa combinação de fatores, segundo os pesquisadores, contribui para a contínua expansão do mercado de deepfakes pornográficos na internet.
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