Muitas mulheres brasileiras utilizam cursos populares no Rio de Janeiro para retomar a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) após anos dedicados à família. Iniciativas comunitárias oferecem suporte pedagógico e emocional para candidatas que buscam ingressar no ensino superior e realizar antigos sonhos profissionais.
Um dos exemplos é a dona de casa Zélia José dos Santos, de 72 anos. Após dedicar a juventude aos filhos e ao trabalho, ela decidiu focar em si mesma e se inscrever no Enem para cursar Serviço Social, contando com o preparatório do Sindicato dos Servidores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Sintuperj).
Apoio integral e representatividade
No curso do Sintuperj, as alunas mais velhas representam entre 20% e 30% do público total, segundo o gestor administrativo Carlos Eduardo Silva de Lourdes. A instituição cobra mensalidades acessíveis, concede bolsas integrais para vulneráveis e distribui cestas básicas arrecadadas em aulões mensais.
A coordenadora pedagógica Raíssa Tabajara ressalta que a preparação vai além dos conteúdos tradicionais do Enem. A estrutura inclui suporte psicossocial e oficinas de autocuidado, visando fortalecer o aprendizado de quem ficou muito tempo longe das salas de aula.
Superação de desafios e persistência
A história se repete com a técnica de enfermagem Paula Cristina dos Santos, de 55 anos. Mãe na adolescência, Paula enfrenta limitações da fibromialgia para alcançar o sonho de cursar Medicina, mesmo já tendo pontuação suficiente para Fisioterapia em edições anteriores.
Estrutura do Enem e preparação para a redação
No primeiro dia do exame, os candidatos enfrentam 90 questões de linguagens e ciências humanas, além da redação. A professora Érika Rodrigues orienta que os estudantes mantenham a coerência e utilizem repertório sociocultural de forma bem conectada com os argumentos apresentados no texto.
Durante o ano letivo, o cursinho comunitário no campus Maracanã trabalhou temas como tecnologia, cidadania e meio ambiente. A docente destaca a importância de combater a desinformação, estimulando o senso crítico dos participantes na interpretação das propostas.
Fundado em 1998 para servidores da universidade, o projeto do Sintuperj expandiu o atendimento para toda a comunidade externa. Desde a criação, a iniciativa já auxiliou mais de 2 mil estudantes a conquistarem vagas em universidades públicas federais e na própria Uerj.