O guitarrista, cantor e compositor Da Ghama atravessa um momento de intensa produção artística. Entre um projeto novo em parceria com músicos ligados ao Natiruts, uma música inédita prestes a chegar às plataformas digitais e apresentações marcadas para os próximos meses, o artista, que é um dos fundadores do Cidade Negra, reuniu novidades e memórias na entrevista ao programa Business Rock, apresentado por Sandrão, na Prime TV/SBT. Na conversa, relembrou os desafios enfrentados antes do reconhecimento nacional, falou sobre sua trajetória e revelou o que vem pela frente.
Novos projetos e lançamentos musical
Entre os destaques está o Cidade Roots, projeto desenvolvido em parceria com Bruno e Kiko, músicos ligados ao Natiruts, que prepara o lançamento de uma composição inédita para dezembro de 2026. "Acho que agora a gente tem o dever de presentear a galera que está curtindo o Cidade Roots", afirmou Da Ghama, ao revelar a intenção de disponibilizar a música nas plataformas digitais no início de dezembro.
Outro compromisso anunciado foi a apresentação de 7 de novembro, no Bar Brahma, na Avenida São João, em São Paulo. O espetáculo está relacionado ao lançamento da segunda parte do álbum Violas e Canções, projeto que reúne composições autorais, parcerias e releituras da música brasileira.
Da Ghama também comentou a decisão de explorar sonoridades além do reggae em sua carreira solo. "Eu queria uma realização minha, que é um registro que vai ficar aí pra eternidade", explicou, ressaltando a importância de desenvolver trabalhos que expressem sua identidade como compositor e intérprete.
Das origens ao reconhecimento nacional
Durante a entrevista, Sandrão destacou a importância de Da Ghama para a consolidação do reggae brasileiro. "Um dos nomes que ajudaram a construir uma das páginas mais importantes do reggae brasileiro", afirmou o apresentador ao introduzir a trajetória do convidado.
Nascido no Rio de Janeiro e criado em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Da Ghama teve os primeiros contatos com a música por influência do pai, pedreiro que tocava violão e cavaquinho. Na adolescência, passou a participar de atividades culturais e festivais ligados à Igreja Católica, experiências que contribuíram para a formação do grupo que posteriormente se tornaria o Cidade Negra.
A banda ganhou projeção com o álbum Lute para Viver, lançado no início da década de 1990, que contou com a participação do jamaicano Jimmy Cliff na faixa "Mensagem". O repertório incluiu "Falar a Verdade", composição que ajudou a abrir caminho para o grupo no mercado nacional.
O reconhecimento se ampliou nos anos seguintes, especialmente com Sobre Todas as Forças (1994) e O Erê (1996), trabalhos que consolidaram sucessos como "A Estrada", "Firmamento" e "O Erê".
Ao recordar os primeiros ensaios, realizados com instrumentos improvisados e poucos recursos financeiros, Da Ghama destacou a confiança que os integrantes depositavam no próprio trabalho. "Mesmo assim, com toda essa dificuldade, a gente sentia na pele, a gente acreditava muito na possibilidade", contou.
Cidade Negra: possibilidade de reencontro e projeto temporário
A declaração sobre os antigos companheiros da banda ocorre em um momento de retomada das atividades do Cidade Negra, que anunciou a turnê De Agora em Diante, com apresentações comemorativas e preparação de novas músicas. Segundo informações divulgadas pela revista Noize, a formação atual conta com Toni Garrido e Bino Farias, enquanto o grupo revisita sucessos de diferentes fases da carreira.
Questionado sobre a possibilidade de voltar a participar do Cidade Negra, Da Ghama afirmou que considera a ideia, desde que exista uma proposta capaz de valorizar a história construída pelos músicos. "Talvez sim, talvez sim", declarou. O artista indicou que uma participação poderia ocorrer em um projeto temporário, como uma turnê, sem anunciar qualquer negociação concreta para esse possível reencontro. Enquanto isso, permanece dedicado à carreira solo e ao projeto Cidade Roots.
Ao longo da entrevista, Sandrão ressaltou a influência da banda Cidade Negra sobre diferentes gerações e a permanência de suas músicas na memória do público. "Vocês começaram uma história que modificou o país", afirmou o apresentador.
A conversa também abordou a utilização da música como instrumento de reflexão social, especialmente na releitura de "Falar a Verdade", cujo videoclipe reúne representantes de diferentes religiões para discutir diversidade e intolerância religiosa.
Com uma trajetória que atravessa mais de quatro décadas, Da Ghama mantém sua atuação artística entre novos lançamentos, apresentações e projetos que dialogam com o legado do Cidade Negra e com diferentes vertentes da música brasileira.
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