Em uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (3), a Polícia Civil de Rondônia, representada pela delegada Leisaloma Carvalho, responsável pela investigação, forneceu detalhes adicionais sobre o crime que culminou na morte de Marta Isabelle dos Santos Silva, de 16 anos, em Porto Velho (RO).
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A delegada informou que a jovem era vítima de tortura recorrente ao longo de vários anos. O corpo da adolescente foi descoberto em 24 de maio, apresentando sinais severos de desnutrição, lesões extensas e a presença de larvas.
"A morte dela não foi um evento isolado, mas sim o resultado de uma sequência de torturas, castigos e sofrimento prolongado, tanto físico quanto psicológico", declarou a delegada Leisaloma Carvalho.
Rotina da adolescente antes da morte
A entrevista coletiva aprofundou os detalhes sobre a vida de Marta Isabelle. Nascida de um relacionamento conturbado, ela viveu com a mãe na Paraíba até os nove anos, quando se mudou para a residência do pai, momento em que sua situação mudou drasticamente.
"Marta residia com o pai e a madrasta desde os nove anos. Com o tempo, ela começou a ser submetida a todo tipo de humilhação, maus-tratos, agressões físicas e punições, sendo posteriormente isolada do convívio social", explicou.
"Inicialmente, ela foi retirada da escola sob o pretexto de uma falsa transferência para outro estado. A partir daí, ficou privada de contato com amigos e outras pessoas. A denúncia sobre a situação já havia sido feita anos atrás pela própria filha da madrasta, mas na época não foi investigada", acrescentou.
Entenda o caso
A investigação teve início após a madrasta da vítima, Ivanice Farias de Souza, acionar a polícia. Inicialmente, a mulher alegou que a adolescente estava desaparecida há três meses e que havia retornado à casa naquela manhã em estado debilitado. Contudo, as autoridades detectaram inconsistências nas declarações.
Ao chegarem à chácara onde a família morava, os policiais encontraram o corpo da jovem em uma cama, coberto por um lençol. A perícia técnica identificou elementos que contrariam a versão de que a adolescente teria chegado ao local por meios próprios. Adicionalmente, uma fogueira nos fundos da propriedade continha roupas da vítima e fraldas descartáveis parcialmente queimadas, sugerindo uma tentativa de ocultação de provas.
O laudo pericial detalhou um cenário de extrema violência. A adolescente apresentava exposição óssea na região da clavícula e no braço esquerdo, além de feridas infeccionadas e escaras de decúbito, lesões típicas de indivíduos mantidos imóveis na mesma posição por longos períodos.
A confissão do pai
Após ser localizado na casa de sua mãe, o pai da vítima confessou o cárcere privado. Ele relatou que, após uma suposta fuga da adolescente meses antes, passou a mantê-la presa todas as noites usando fios elétricos para impedir novas tentativas de evasão. O homem afirmou que a libertava durante o dia, mas a mantinha confinada nos fundos da residência.
Diante das evidências e da omissão deliberada de socorro, a autoridade policial determinou a prisão do pai, da madrasta e da avó paterna, por participação direta nos crimes de tortura e cárcere privado.
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