Praticamente oito em cada dez mulheres lésbicas enfrentam diversos tipos de violência cotidianamente, conforme aponta o Lesbocenso Nacional. Divulgado em 2022, o mapeamento foi realizado pela Liga Brasileira de Lésbicas e pela Coturno de Vênus. O levantamento destaca que a lesbofobia ocupa a segunda posição em registros de violências, sendo o assédio moral e o sexual as formas mais recorrentes.
Para marcar o combate ao preconceito e à discriminação contra mulheres que se relacionam com outras mulheres, o Dia Nacional do Orgulho Lésbico é lembrado nesta quarta-feira no Brasil. A data simboliza, igualmente, a luta contínua pela visibilidade desse público e por avanços fundamentais de direitos sociais.
A Agência Brasil conversou com a assistente social Michele Seixas, coordenadora política nacional na Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL). Ela detalhou os principais desafios, reivindicações e avanços dessa agenda urgente para o país.
Saúde integral e atendimento
Entre as prioridades listadas pela ativista está a busca por saúde integral de qualidade. A militante defende o atendimento qualificado no Sistema Único de Saúde (SUS), exigindo profissionais capacitados para atender às especificidades de todos os corpos lésbicos.
“A saúde é um gargalo para a população lésbica. Deparamo-nos com uma saúde que vem sendo invisibilizada e violada há muitos anos para nós”, aponta a especialista em direitos humanos e gênero.
Michele ressalta que a falta de formação continuada e o fundamentalismo religioso prejudicam o atendimento. Por isso, o movimento exige que a anamnese nos postos de saúde passe a coletar obrigatoriamente a orientação sexual da paciente.
Direitos reprodutivos e assistência
No tocante aos direitos reprodutivos, a Política de Planejamento Familiar falha em assistir essas mulheres. O movimento reivindica acesso pleno à dupla maternidade por meio da reprodução humana.
Outro ponto crítico é a invisibilidade nos programas da Política Nacional de Assistência Social. Arranjos familiares de lésbicas frequentemente não são reconhecidos ou cadastrados oficialmente pelo Estado.
Mercado de trabalho e dados
A lesbofobia também restringe o acesso a postos de trabalho dignos. Mulheres que não seguem padrões tradicionais de feminilidade sofrem exclusão ainda maior em processos seletivos e ambientes corporativos.
O Brasil continua sofrendo com a escassez de estatísticas estatais sobre essa população. A maior parte das informações ainda depende de pesquisas independentes e dossiês acadêmicos.