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Segunda-feira, 25 de Maio 2026
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Doença celíaca: especialista detalha a condição autoimune que afeta Isis Valverde

Atriz, diagnosticada aos 19 anos, revelou internações recentes e a importância da dieta sem glúten para o controle

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Doença celíaca: especialista detalha a condição autoimune que afeta Isis Valverde
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A atriz Isis Valverde, de 39 anos, revelou em suas redes sociais ter enfrentado três internações neste ano devido à doença celíaca, uma condição autoimune crônica diagnosticada quando tinha 19 anos. Para aprofundar a compreensão sobre essa enfermidade que exige a exclusão total do glúten, o portal LeoDias entrevistou a coloproctologista Aline Amaro, que detalhou os desafios e o manejo da condição.

A coloproctologista Aline Amaro explicou que a doença celíaca vai além de uma simples sensibilidade alimentar. Trata-se de uma patologia autoimune crônica na qual o organismo reage de forma inadequada ao glúten, uma proteína presente em cereais como trigo, cevada e centeio.

Quando indivíduos geneticamente predispostos consomem glúten, o sistema imunológico desencadeia uma inflamação no intestino delgado. Essa inflamação danifica as vilosidades intestinais, estruturas cruciais para a absorção de nutrientes.

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O comprometimento dessa função pode levar a sérias repercussões, como anemia, perda de peso, fadiga intensa, osteopenia, osteoporose e, em crianças e adolescentes, até prejuízo no crescimento.

Os sintomas da doença celíaca

A especialista também alertou para a vasta gama de sintomas da doença celíaca, que nem sempre se manifestam de maneira clássica. Embora diarreia crônica, distensão abdominal, gases e dor sejam conhecidos, muitos pacientes exibem sinais mais sutis ou manifestações extraintestinais.

Cansaço persistente, anemia ferropriva sem causa aparente, queda de cabelo, aftas recorrentes, irritabilidade, alterações de humor, osteoporose precoce e até infertilidade ou alterações neurológicas, como formigamentos, podem ser indicativos. Essa diversidade sintomática frequentemente atrasa o diagnóstico por anos.

Aline Amaro ressaltou que alguns pacientes podem apresentar poucos ou nenhum sintoma digestivo evidente, mesmo com inflamação intestinal significativa. Isso sublinha a importância de um olhar clínico atento, especialmente em quadros persistentes.

Pessoas com histórico familiar da doença, diabetes tipo 1 ou outras doenças autoimunes têm maior risco e devem ser investigadas. O diagnóstico preciso é realizado por meio de exames sorológicos específicos e, em muitos casos, confirmado por endoscopia digestiva alta com biópsias do intestino delgado.

Tratamento e controle da condição

É fundamental compreender que a doença celíaca não possui uma cura definitiva, sendo uma condição autoimune de base genética. A predisposição, portanto, acompanha o indivíduo por toda a vida. Contudo, ela pode ser controlada de forma eficaz com o tratamento adequado.

A adesão rigorosa à exclusão completa do glúten da alimentação permite que a inflamação intestinal regrida progressivamente. Isso facilita a recuperação das vilosidades intestinais e o restabelecimento da absorção normal de nutrientes, resultando em melhora expressiva dos sintomas, recuperação nutricional e redução do risco de complicações futuras.

A coloproctologista pontuou que o único tratamento comprovadamente eficaz é a exclusão completa e permanente do glúten da dieta. Isso engloba a retirada de alimentos que contenham trigo, cevada, centeio e, por vezes, aveia não certificada, devido à contaminação cruzada industrial. Não há medicação que substitua essa conduta.

O sucesso terapêutico depende diretamente da adesão rigorosa à dieta e do entendimento detalhado sobre a presença do glúten, que pode estar em produtos industrializados, molhos, medicamentos e suplementos.

O acompanhamento multidisciplinar é crucial, envolvendo o médico para monitorar a evolução clínica e a recuperação da mucosa, e o nutricionista para auxiliar na reorganização alimentar e prevenir deficiências. Em alguns casos, a reposição de vitaminas e minerais como ferro, vitamina D, cálcio, vitamina B12 e ácido fólico pode ser necessária.

A educação alimentar é essencial para evitar restrições excessivas desnecessárias e garantir uma alimentação equilibrada, segura e nutricionalmente adequada.

Reações à ingestão acidental de glúten

A médica detalhou que a reação à ingestão acidental de glúten varia consideravelmente. Alguns pacientes desenvolvem sintomas agudos em poucas horas, como dor abdominal intensa, distensão, diarreia, náuseas, vômitos, mal-estar e fadiga.

Outros podem não perceber sintomas imediatos, mas ainda assim sofrer uma ativação inflamatória intestinal silenciosa. Isso é preocupante, pois a ausência de sintomas não significa ausência de lesão. A resposta depende da sensibilidade individual, da quantidade ingerida e do tempo de exposição.

Na maioria das vezes, a ingestão acidental provoca desconforto transitório e raramente exige internação. No entanto, exposições repetidas ou intensas podem agravar o quadro inflamatório, levando a desidratação, desequilíbrios metabólicos e piora nutricional, especialmente em grupos vulneráveis como crianças, idosos ou pacientes com doença ativa.

Casos graves podem demandar avaliação hospitalar, principalmente com vômitos persistentes, diarreia intensa ou sinais de desidratação. Além disso, a exposição contínua ao glúten eleva o risco de complicações crônicas, como desnutrição severa, osteoporose e, em situações raras, linfoma intestinal, concluiu Aline Amaro.

FONTE/CRÉDITOS: Katharine Alves
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