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Quarta-feira, 22 de Abril 2026
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Em Juiz de Fora, sobrevivente de tragédia vive em meio a escombros após casa ser devastada pela lama

Gilvan, que sofreu infarto, relata: "Não posso pegar peso, mas, mesmo assim, estou trabalhando para sobreviver. Até agora não tive ajuda nenhuma."

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Em Juiz de Fora, sobrevivente de tragédia vive em meio a escombros após casa ser devastada pela lama
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Na localidade de Três Moinhos, em Juiz de Fora, Gilvan Leal Luzia, de 55 anos, encontra-se em uma situação precária, passando dias e noites em um colchão improvisado no que sobrou de sua garagem. Seu lar foi completamente destruído pela enxurrada de lama, deixando parte de seu veículo soterrada e exigindo um abrigo rudimentar, feito com colchonetes, telhas e outros detritos, para protegê-lo da chuva.

Exatamente um mês atrás, na noite de 23 de fevereiro, Gilvan por pouco não se tornou mais uma vítima das devastadoras enchentes e deslizamentos de terra que assolaram a Zona da Mata Mineira. A tragédia resultou na perda de 73 vidas, contabilizadas entre Juiz de Fora e Ubá.

"Eu estava prestes a entrar para buscar alguns documentos, mas minha irmã me alertou para não fazê-lo. No exato momento em que cogitei entrar, tudo desmoronou", recorda Gilvan, com a voz embargada.

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Com a moradia completamente inabitável, Gilvan foi forçado a dormir ao relento, desafiando até mesmo as previsões de novas precipitações.

"Se for para morrer, morrerei. Nasci e cresci aqui. Não tenho para onde ir", desabafa ele, expressando sua resignação e falta de opções.

Tendo passado toda a sua vida na região, ele assegura nunca ter testemunhado um evento de tamanha magnitude. A catástrofe ainda piorou sua já frágil condição de saúde; Gilvan, que recentemente sofreu um infarto, está proibido de fazer esforços físicos, mas se vê obrigado a realizar trabalhos informais para garantir sua subsistência.

"Não posso carregar peso, mas, mesmo assim, estou trabalhando para sobreviver. Até o momento, não recebi qualquer tipo de auxílio. Não busco dinheiro, apenas desejo uma solução para ter onde morar", enfatiza Gilvan, revelando a urgência de sua situação.

Diante da ausência de definições sobre a liberação da área ou de planos de reassentamento, o morador tenta, por conta própria, planejar a reconstrução de seu espaço, apesar da escassez de recursos.

"Vou limpar tudo e construir um quarto, um banheiro e uma cozinha para mim", planeja ele, demonstrando resiliência.

A feirante Kasciany Pozzi Bispo, de 36 anos, também enfrenta o desafio de reestruturar sua vida, marcada pelo isolamento, pela ausência de renda e pelas incertezas do porvir. Sua subsistência depende integralmente da comercialização de cana-de-açúcar, uma atividade que foi totalmente interrompida ao longo do último mês.

"Muita cana foi perdida. Esta é a nossa única fonte de renda. Sem acesso para veículos, o transporte da produção tornou-se inviável. O caminhão está preso. Nós nos viramos, pegamos carros emprestados e vamos ao canavial para cortar o que conseguimos, na tentativa de sobreviver", explica Kasciany, detalhando as dificuldades.

O plano imediato da família é aguardar a secagem da lama para resgatar a Kombi, que está atolada, e então tentar retomar suas atividades em outro local. A residência onde Kasciany e sua família viviam foi interditada, seguindo o destino de várias outras na vizinhança. As crianças também sentem o impacto da situação.

"Todas as crianças estão sem ir à escola. Estão sugerindo que as matriculemos em colégios distantes. É uma situação complicada", lamenta ela, preocupada com o futuro educacional dos pequenos.

Enquanto se esforça para resolver as burocracias necessárias para acessar os auxílios governamentais, Kasciany clama por ações urgentes em sua comunidade.

"Poderiam, no mínimo, disponibilizar uma máquina para limpar a rua, permitindo que as pessoas retirem o que sobrou de suas casas. Estamos isolados neste bairro e ninguém age. São os próprios moradores que estão realizando a limpeza das vias. Pedimos apenas um pouco de dignidade para quem vive aqui", apela Kasciany, destacando a falta de apoio.

Em comunicado oficial, a Prefeitura de Juiz de Fora anunciou que o auxílio calamidade municipal será depositado na próxima segunda-feira, dia 23, nas contas do Cadastro Único (CadÚnico) das famílias atingidas pela tragédia.

O órgão municipal também contabilizou 1.008 residências totalmente destruídas e oito imóveis que precisaram ser demolidos. Além disso, informou que as famílias desabrigadas, que inicialmente foram acolhidas em abrigos provisórios, foram posteriormente realocadas para hotéis na cidade.

A prefeitura acrescentou que a rede municipal de ensino já restabeleceu suas atividades em 101 unidades, mas cinco escolas permanecem com as aulas suspensas: a Escola Municipal Adenilde Bispo, EM Clotilde Hargreaves, EM Antônio Faustino, EM Santa Catarina Labouré e EM Murilo Mendes.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil
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