A facção criminosa venezuelana Tren de Aragua, citada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao justificar o sequestro de Nicolás Maduro, já possui integrantes atuando em pelo menos seis estados brasileiros. A maior concentração está em Roraima, que faz fronteira com a Venezuela e foi a principal porta de entrada de refugiados nos últimos anos.
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Segundo autoridades brasileiras, o suposto envolvimento de Maduro com o grupo criminoso foi um dos argumentos usados por Trump ao comentar a ação realizada no último sábado (03), quando o líder venezuelano e a esposa, Cilia Flores, foram levados para os Estados Unidos e presos no Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, em Nova York.

Foto: Shealah Craighead / Official White House
Acusação de narcoterrorismo
Maduro foi indiciado por um grande júri federal norte-americano por narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. A denúncia, apresentada em Nova York, prevê pena mínima de 20 anos de prisão, podendo chegar à prisão perpétua.
De acordo com a acusação, o presidente venezuelano teria liderado, por mais de duas décadas, uma estrutura criminosa instalada no alto escalão do Estado. Essa organização utilizaria instituições públicas, forças de segurança, aeroportos, portos e até canais diplomáticos para facilitar o envio de toneladas de cocaína aos Estados Unidos.
Em declaração recente, Trump afirmou que Maduro teria enviado integrantes do Tren de Aragua para atuar em comunidades americanas, acusando a facção de extrema violência e intimidação de moradores.
Presença no Brasil e alianças com facções
Segundo a Polícia Civil de Roraima, já foram identificados membros do Tren de Aragua em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do próprio território roraimense. Em São Paulo e no Rio, os criminosos venezuelanos teriam se aliado às duas maiores facções do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Foi em Roraima que integrantes do grupo começaram a se estabelecer de forma mais consistente a partir de 2016. Inicialmente, chegaram de forma discreta a Boa Vista, passando-se por refugiados. Com o tempo, passaram a disputar territórios com facções locais.
Dados oficiais mostram que os homicídios na capital subiram de 90, em 2020, para 127 no ano seguinte, período em que o grupo consolidou pontos de venda de cocaína.

Imagem drogas apreendidas (FAB / PF) – Arquivo
Tráfico de armas, drogas e pessoas
Após estabelecer territórios, o Tren de Aragua ampliou conexões com o PCC e o CV, tornando-se um dos principais fornecedores de armas para facções brasileiras. O grupo também garante rotas de transporte de cocaína vinda da Colômbia, atravessando o território venezuelano até o Brasil.
Além do tráfico de drogas e armas, investigações apontam um esquema estruturado de tráfico humano. Segundo a Polícia Civil, mulheres venezuelanas em situação de vulnerabilidade são atraídas com falsas promessas de trabalho no Brasil e acabam exploradas em casas de prostituição controladas pela facção.
Em muitos casos, as vítimas acumulam dívidas com os criminosos e, quando não conseguem pagar, sofrem ameaças ou são mortas.
Cemitério clandestino
No fim de 2024, a Polícia Civil de Roraima localizou um cemitério clandestino atribuído ao Tren de Aragua em Boa Vista. No local, foram encontrados dez corpos, entre eles cinco mulheres, com indícios de desmembramento, reforçando o histórico de extrema violência associado à facção.
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