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Sábado, 14 de Março 2026

Economia

Haddad: elite brasileira considera o Estado como sua propriedade exclusiva

Ministro da Fazenda aborda a apropriação estatal pela elite e a fragilidade democrática em lançamento de livro.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Haddad: elite brasileira considera o Estado como sua propriedade exclusiva
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou sua perspectiva de que “a classe dominante brasileira concebe o Estado como uma extensão de si, não um patrimônio coletivo, mas sim uma posse particular”. Essa declaração foi feita durante um evento em São Paulo, marcando o lançamento de sua obra, *Capitalismo Superindustrial*. O encontro contou com um diálogo entre Haddad e Celso Rocha de Barros, sob a mediação de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis.

Haddad defende a tese de que o Estado foi, de fato, "entregue aos fazendeiros como uma forma de compensação pela abolição da escravidão". Para ilustrar seu ponto, o ministro recordou que o movimento republicano teve início em 14 de maio de 1888 – um dia após a promulgação da Lei Áurea – e alcançou seus objetivos no ano seguinte.

Após sua vitória, o movimento republicano "expulsou a classe dirigente da nação, substituindo-a pela própria classe dominante do país para gerir o Estado como se fosse sua propriedade. Enfrentamos essa questão até os dias atuais", pontuou o ministro.

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Haddad concluiu que "esse 'acordão', estabelecido sob a égide das Forças Armadas, provoca uma reação instantânea quando questionado. Não se pode interferir nele, em nenhuma de suas esferas. Essa é a razão pela qual a democracia no Brasil se mostra tão problemática e vulnerável, pois ela representa a contestação desse *status quo*. E, ao forçar os limites, a possibilidade de uma ruptura institucional se torna real".

Capitalismo superindustrial

A obra de Haddad, lançada neste sábado, explora os mecanismos que culminaram no atual paradigma global do que ele denomina capitalismo superindustrial, caracterizado por uma escalada de desigualdade e concorrência. O autor examina tópicos como a acumulação primitiva de capital nas regiões periféricas do capitalismo, a assimilação do conhecimento como elemento produtivo e as reconfigurações das classes sociais.

Na visão do ministro, a tendência é que a desigualdade persista em crescimento. Ele observou que "quando o Estado atenua os impactos do desenvolvimento capitalista e estrutura a sociedade de modo a promover uma desigualdade moderada, as tensões sociais de fato se reduzem significativamente, isso é um fato".

Haddad complementou: "Contudo, se essa dinâmica for abandonada à sua própria sorte, ela conduz a uma desigualdade absoluta. E quando tal cenário se manifesta, não se trata mais de meras diferenças, mas sim de contradições e de processos contraditórios. Creio que estamos vivenciando este exato momento, esta fase em que a contradição se impõe".

O livro compila pesquisas de Haddad sobre economia política e a essência do sistema soviético, originalmente conduzidas nas décadas de 1980 e 1990, agora revisadas e expandidas. Dessa forma, a publicação também aborda os desafios emergentes com a ascensão da China como uma força global.

Processos no Oriente

"O propósito central era tentar compreender os acontecimentos no Oriente que poderiam se enquadrar em um modelo peculiar de acumulação primitiva de capital – distinto tanto da escravidão nas Américas quanto da servidão no Leste Europeu –, mas que, à sua própria maneira e por caminhos diversos, atingiu os mesmos propósitos", detalhou o autor.

Haddad ressalta que, diferentemente do ocorrido no Leste Europeu e nas Américas, as revoluções no Oriente apresentaram um caráter antissistêmico e anti-imperialista. "Em contraste com a escravidão e a servidão", explicou ele, "o despotismo e a coerção estatal foram empregados para fins industrializantes, algo que não se verificou nem no Leste Europeu nem nas Américas".

"É intrigante que, internamente, essas eram modalidades extremamente violentas e coercitivas de acumulação de capital, mas, externamente, possuíam uma força antissistêmica que cativava povos em busca de liberdade e emancipação nacional, e não de emancipação humana. Em outras palavras, estamos nos referindo, sim, a uma revolução, mas não a uma revolução socialista, e isso estabelece uma distinção significativa", complementou.

Ao analisar o êxito ou insucesso dos processos no Oriente, o ministro avalia que, sob a ótica do desenvolvimento das forças produtivas e da mercantilização da terra, do trabalho e da ciência, essas sociedades experimentaram um progresso. "No que tange aos ideais que impulsionaram os líderes revolucionários, contudo, pode-se afirmar que seus objetivos não foram plenamente alcançados", declarou, enfatizando a contradição inerente a esses movimentos.

FONTE/CRÉDITOS: Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil
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