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Saúde

Hospital universitário no Rio inaugura primeira UTI Inteligente do SUS com apoio de inteligência artificial

A iniciativa, com a presença do ministro Alexandre Padilha, promete otimizar o tratamento de pacientes e reduzir filas no Sistema Único de Saúde.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Hospital universitário no Rio inaugura primeira UTI Inteligente do SUS com apoio de inteligência artificial
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão, no Rio de Janeiro, marcou um avanço significativo para o Sistema Único de Saúde (SUS) ao inaugurar, neste sábado (27), a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Inteligente do país. Este marco representa a integração de tecnologia de ponta, incluindo a inteligência artificial, para revolucionar o atendimento intensivo, prometendo otimizar o monitoramento de pacientes e agilizar tratamentos, impactando diretamente a redução de filas.

Essas UTIs Inteligentes são equipadas com tecnologias de ponta que otimizam o monitoramento dos pacientes. A conectividade avançada permite o cruzamento de informações cruciais para a tomada de decisões médicas.

Os equipamentos inovadores são capazes de prever riscos potenciais e priorizar atendimentos de forma mais eficiente. Além disso, exibem os dados mais relevantes diretamente no prontuário eletrônico do paciente, facilitando o trabalho da equipe de saúde.

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Um diferencial importante é a conexão direta com ambulâncias equipadas com tecnologia 5G. Essa integração possibilita a transmissão em tempo real de sinais vitais dos pacientes, acelerando significativamente o atendimento pré-hospitalar e a preparação da equipe médica.

A cerimônia de inauguração contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Em seu discurso, ele enfatizou o papel fundamental da inteligência artificial (IA) na operação dessas UTIs Inteligentes, ressaltando o potencial transformador da tecnologia na saúde pública.

Padilha explicou que, "com o uso da inteligência artificial, ela pode disparar alarmes sobre a piora de um paciente, com base nos dados que são continuamente monitorados", permitindo intervenções mais rápidas e eficazes.

O ministro também destacou que a implementação das UTIs Inteligentes contribui para a redução do tempo de tratamento dos pacientes. Consequentemente, há uma diminuição expressiva na fila por atendimento no SUS.

Segundo o ministro, "é possível observar mais precocemente os sinais de piora ou melhora do paciente". Essa detecção antecipada permite "realizar a ação, a medicação e a mudança de conduta mais rapidamente, contribuindo para salvar vidas".

Ele complementou que, com a alta mais rápida dos pacientes da UTI, "isso gera uma maior rotatividade dos leitos". Tal efeito direto resulta na "redução do tempo de espera para aqueles que aguardam por uma vaga em terapia intensiva".

O Ministério da Saúde estima que a aplicação de tecnologias como a inteligência artificial (IA) e o big data – essenciais para processar e analisar grandes volumes de dados – pode reduzir em até cinco vezes o tempo de espera por atendimento de emergência.

Rede nacional

A UTI Inteligente do Hospital do Fundão, que é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), integra um plano de investimentos mais amplo. Esse plano visa a criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão do SUS, iniciativa anunciada em novembro do ano passado.

No total, o Ministério da Saúde planeja estabelecer 14 novas UTIs Inteligentes em todo o país. Este projeto contempla um investimento de R$ 180 milhões e resultará na adição de 280 novos leitos de terapia intensiva.

Os estados e hospitais que serão contemplados por esta expansão incluem:

- São Paulo/SP: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP);

- Rio de Janeiro/RJ: Hospital Federal do Bonsucesso;

- Rio de Janeiro/RJ: Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);

- Belo Horizonte/MG: Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG);

- Brasília/DF: Hospital Universitário de Brasília da Universidade de Brasília (HUB - UnB);

- Salvador/BA: Hospital Geral Roberto Santos;

- Recife/PE: Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (Imip);

- Fortaleza/CE: Hospital Geral de Fortaleza (HGF);

- Teresina/PI: Hospital Getulio Vargas;

- Belém/PA: Hospital Beneficente Portuguesa;

- Curitiba/PR: Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (Huem);

- Porto Alegre/RS: Hospital Nossa Senhora da Conceição (GHC);

- Dourados/MS: Hospital Regional de Dourados (HRD);

- Manaus/AM: Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz.

Além das UTIs Inteligentes, a Rede Nacional também contempla a incorporação de cirurgia robótica, medicina de precisão e análises avançadas por inteligência artificial (IA). O objetivo é aprimorar os resultados clínicos e a eficiência operacional em todo o SUS.

Os próximos estados a receberem as UTIs Inteligentes serão Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Nesta fase inicial de implantação, cada unidade contará com dez novos leitos.

Primeiro hospital inteligente

No âmbito da mesma rede nacional, o Ministério da Saúde alocou um investimento de R$ 4,8 bilhões para diversas frentes. Este montante será destinado à implementação e equipagem do primeiro hospital inteligente do Brasil, ao desenvolvimento de um centro de pesquisa translacional e à modernização de seis hospitais de excelência que integram o SUS.

O futuro hospital inteligente será o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), que funcionará como parte integrante do renomado Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Conforme informado pelo ministério, o ITMI terá capacidade para atender aproximadamente 20 mil pacientes anualmente. A unidade contará com 800 leitos, especificamente dedicados a emergências de adultos e crianças, abrangendo áreas como neurologia, neurocirurgia, cardiologia, terapia intensiva, entre outras especialidades médicas.

A previsão é que as operações do ITMI comecem em 2027. Sua estrutura será totalmente integrada ao programa "Agora Tem Especialistas", que tem como foco a redução do tempo de espera por atendimento especializado em várias frentes.

Para viabilizar os recursos necessários, o Ministério da Saúde obteve um financiamento de R$ 1,7 bilhão junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB). Essa instituição multilateral internacional, popularmente conhecida como Banco do Brics, é composta por países em desenvolvimento. O prazo estipulado para o pagamento do empréstimo é de 30 anos.

Acelerador de radioterapia

Durante a visita do ministro, o Hospital da UFRJ também inaugurou seu primeiro acelerador linear. Este equipamento de ponta é projetado para otimizar e reduzir significativamente o tempo de realização de radioterapias. A instalação do aparelho representou um investimento de R$ 3,4 milhões.

Para Alexandre Padilha, as recentes inaugurações representam "mais um passo crucial para que o SUS e a universidade pública brasileira assumam a liderança na revolução tecnológica e digital" do setor da saúde.

Bruna Lamis, física médica da HU Brasil (antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), responsável pela gestão do hospital, detalhou os benefícios. Ela explicou que o novo equipamento de radioterapia não só acelera o tempo de tratamento, mas também consegue "preservar mais os órgãos em risco no entorno do tumor", aumentando a precisão e segurança do procedimento.

A especialista ainda revelou que, em comparação com as máquinas tradicionais, a capacidade de realização de sessões de radioterapia será duplicada. O número de pacientes atendidos passará de 20 para 40 por dia, otimizando o fluxo de tratamento.

O Ministério da Saúde informou que o SUS tem previsão de receber 70 desses modernos equipamentos ainda este ano, ampliando o acesso a tratamentos de radioterapia em todo o país.

Para Roberto Medronho, médico epidemiologista e reitor da UFRJ, os investimentos no hospital universitário são cruciais. Ele acredita que essas iniciativas permitirão que a unidade retome seu papel de vanguarda na área da saúde.

Medronho afirmou à Agência Brasil: "Voltaremos a ser o que éramos no passado. A incorporação tecnológica na área da saúde era feita nas nossas unidades aqui da UFRJ. Com iniciativas como essa, vamos voltar a ter esse mesmo protagonismo", projetando um futuro de liderança para a instituição.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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