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Sábado, 02 de Maio 2026
Economia

Isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil passa a valer neste mês

A redução nos salários pagos em fevereiro já reflete a nova medida, que deve beneficiar cerca de 16 milhões de brasileiros.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil passa a valer neste mês
© Marcello Casal JrAgência Brasil
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As novidades na tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente a 2026 já podem ser sentidas a partir desta semana nos contracheques de trabalhadores com rendimentos brutos de até R$ 5 mil mensais. Esses indivíduos agora estão completamente isentos do tributo. Para aqueles com ganhos até R$ 7.350, haverá uma diminuição progressiva no valor retido na fonte.

As mudanças, que passaram a vigorar para os salários pagos desde janeiro, terão seu impacto efetivo nos pagamentos realizados em fevereiro.

Segundo projeções do Ministério da Fazenda, aproximadamente 16 milhões de pessoas devem ser contempladas por essa alteração.

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Um exemplo é Genival Gil, pedreiro de 49 anos que atua no Distrito Federal. Ele tomou conhecimento da medida ao assistir ao telejornal. Genival, que tem carteira assinada há três meses com um salário ligeiramente superior a R$ 2,7 mil, agora aguarda seu próximo holerite para constatar a diferença.

A expectativa do trabalhador

Genival espera que o valor que antes era destinado aos cofres públicos agora permaneça em seu bolso, auxiliando nas despesas domésticas. Ele reside de aluguel em Paranoá, a cerca de 20 quilômetros do centro de Brasília.

“Vai ajudar a pagar umas contas a mais da casa”, planeja o pedreiro.

Com a nova legislação, a isenção total do IRPF se estende a trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas (tanto do INSS quanto de regimes próprios), desde que a renda mensal não exceda R$ 5 mil.

A regra também se aplica ao pagamento do décimo terceiro salário.

Rendimentos superiores a R$ 7.350 continuarão sujeitos à tabela progressiva de tributação, com alíquotas de até 27,5%.

Arnaldo Manuel Nunes, jardineiro de 55 anos em um shopping de Brasília, também está ciente de que uma parcela significativa de sua remuneração, antes retida na fonte, agora não será mais descontada. Com um salário de R$ 2.574, Arnaldo considera a medida benéfica para seu orçamento.

Desconhecimento sobre a nova regra

Em uma abordagem nas ruas, a equipe de reportagem da Agência Brasil conversou com diversos trabalhadores formais que desconheciam a nova tabela do imposto de renda e suas principais alterações em termos de isenção e redução de tributos.

Renata Correa, atendente de caixa em uma rede nacional de farmácias, ficou surpresa ao saber que não precisará mais pagar imposto de renda com seu salário atual de R$ 1.620. Ela pretende usar o valor economizado para formar uma reserva financeira.

“Vou fazer uma rendinha extra e deixá-la guardadinha para poder chegar ao fim do ano ou usar em datas especiais. Até mesmo usar em uma emergência.”

Ao chegar ao trabalho, Renata comunicou a novidade aos colegas, incentivando-os a verificar seus contracheques. Ela mora em Santo Antônio do Descoberto (GO) com suas três filhas.

Adriano Marrocos, integrante do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), assegura aos trabalhadores com carteira assinada que tanto a isenção para quem ganha até R$ 5 mil quanto os descontos graduais para rendas entre R$ 5.001 e R$ 7.350 serão aplicados automaticamente.

“Quem tem emprego, não precisa se preocupar, pois os cálculos são automáticos nos programas que geram as folhas de pagamento. O que a pessoa deve observar é que há o cálculo combinado com o redutor adicional e o desconto simplificado.”

Comunicação e a nova isenção

A notícia foi recebida com entusiasmo por Elisabete Silva Ribeiro dos Santos, cozinheira de 48 anos. Trabalhando há um ano e meio em um restaurante popular no centro de Brasília, com um salário de aproximadamente R$ 1,7 mil, ela vê a possibilidade de realizar um antigo desejo.

“Se sobrar dinheiro, quero juntar para comprar um carro porque venho de ônibus todos os dias do Recanto das Emas.”

No entanto, Elisabete lamentou a falta de comunicação por parte do empregador sobre a mudança. Nem ela, nem o churrasqueiro do estabelecimento estavam cientes da isenção, o que gerou desconfiança inicial sobre a veracidade da informação.

“Eu acho excelente, mas vamos ver se vai valer mesmo!”

Para esclarecer dúvidas, o contador Adriano Marrocos sugere que as empresas informem seus funcionários sobre as alterações.

“Em relação aos empregados, a sugestão é o envio de um texto explicando as mudanças e que não se trata de aumento de salário, mas de redução de imposto.”

Na última sexta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou em suas redes sociais que a isenção do IR já está sendo percebida nos salários deste mês.

“Está valendo: quem ganha até R$ 5 mil agora tem Imposto de Renda ZERO. E quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 está pagando menos imposto. É mais dinheiro para cuidar da família, organizar a vida e viver melhor. Isso é justiça tributária, e ela está chegando para milhões de brasileiros e brasileiras”, declarou o presidente Lula.

Origem dos recursos

A compensação da renúncia fiscal, estimada em R$ 25,4 bilhões, será financiada por contribuintes de alta renda. Para suprir essa perda de arrecadação, foi instituído o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM).

O cálculo abrange salários recebidos, lucros e dividendos, além de rendimentos de aplicações financeiras tributáveis.

A estimativa governamental é de que aproximadamente 141 mil contribuintes sejam impactados por essa nova tributação.

Desde 1º de janeiro, a regra se aplica a quem possui:

- Renda mensal superior a R$ 50 mil (R$ 600 mil anuais), com alíquota progressiva de até 10%;

- Renda anual superior a R$ 1,2 milhão, abrangendo os chamados super-ricos, com uma alíquota mínima efetiva de 10%.

Com a nova tributação voltada para a alta renda, o contador Adriano Marrocos avalia que o impacto na arrecadação federal de impostos será mínimo.

“Já havia benefício de isenção para quem recebia até dois salários-mínimos (R$ 3.036). Então, a renúncia só tem a margem de R$ 3.036,01 a R$ 5 mil. De outro lado, o governo federal sancionou a cobrança de imposto de renda de parcelas que eram isentas, como a distribuição de lucros.”

Pedro Henrique Mendonça Marques, gerente de loja de roupas de 23 anos, considera a medida federal um avanço na justiça tributária do Brasil.

“É legal porque, nesses casos, vai taxar os que recebem mais. Eles pagam mais, E quem recebe menos, paga menos. Essa é a lógica.”

Ele recebe cerca de R$ 2,3 mil por mês e pretende destinar parte desse valor para as despesas da casa que divide com a mãe em São Sebastião. Com essa nova realidade financeira, ele vislumbra um futuro mais independente.

“Eu acho que vou sair da casa da minha mãe, por exemplo.”

Declaração de Imposto de Renda

Conforme o Ministério da Fazenda, a atualização da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) terá reflexo apenas na declaração de 2027, que abrange os rendimentos de 2026.

O conselheiro Adriano Marrocos esclarece que, para a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física anual, a ser apresentada em maio deste ano, nenhuma alteração ocorrerá. “Esses trabalhadores ainda terão que entregá-la normalmente. O benefício teve início apenas em janeiro de 2026, ou seja, qualquer reflexo da redução do IR deverá ser percebido somente em maio de 2027.”

O Ministério da Fazenda informa que as principais deduções do IR no momento da declaração permanecem inalteradas:

- Dependentes: R$ 189,59 mensais;

- Desconto simplificado mensal: até R$ 607,20;

- Despesas com educação: até R$ 3.561,50 por pessoa anualmente;

- Declaração anual: desconto simplificado de até R$ 17.640.

Marrocos acrescenta que a dispensa da entrega da declaração para quem ganha menos de R$ 5 mil em 2026 não se baseia apenas no rendimento tributável, mas considera também rendimentos isentos e não tributáveis, rendimentos tributados exclusivamente na fonte, além de bens.

Contribuintes com múltiplas fontes de renda precisarão complementar o imposto na declaração anual, mesmo que cada rendimento isoladamente seja inferior a R$ 5 mil.

Para aqueles receosos de cometer erros no preenchimento da declaração de imposto de renda em 2026 e 2027, a recomendação é verificar as informações detalhadas no informe de rendimentos fornecido pelas empresas, que é obrigatório no primeiro trimestre de cada ano.

“Os dados gerados pelas empresas são enviados para a Receita Federal, por meio de declarações eletrônicas mensais e trimestrais. Assim, a ocorrência de erro é baixa.”

Além de declarar os dados conforme constam no Informe de Rendimentos, é “importante conferir os dados na declaração pré-preenchida pela Receita Federal antes de confirmar o envio”, salienta o contador.

Confira aqui a nova tabela do IRPF divulgada pela Receita Federal com as mudanças após isenção para quem ganha até R$ 5 mil e que entraram em vigor em 1º de janeiro deste ano.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil
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