O presidente francês Emmanuel Macron afirmou nesta quinta-feira (8) que a França votará contra a assinatura do tratado de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, em votação prevista para sexta-feira (9) pelos Estados-membros da UE. O acordo precisa da aprovação de uma maioria qualificada — pelo menos 15 dos 27 países — para entrar em vigor.
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Macron publicou a declaração em seu perfil oficial no X, destacando que, embora apoie o comércio internacional, considera que o acordo é baseado em princípios ultrapassados e traria benefícios econômicos limitados à França e à Europa, com projeções de crescimento modestas para o bloco.
O presidente ressaltou que vem trabalhando desde o fim das negociações para garantir um pacto mais justo que proteja setores agrícolas franceses que consideram a abertura comercial uma ameaça à soberania alimentar do país.
Contexto da oposição
A decisão francesa ocorre em meio a intensos protestos no país. Agricultores bloquearam estradas e entraram com tratores em Paris para expressar sua rejeição ao acordo, argumentando que a abertura do mercado europeu às tarifas reduzidas pode prejudicar a agricultura local frente à concorrência de produtos sul-americanos mais baratos.
Outros países europeus, como Irlanda, também anunciaram votos contrários ao acordo, citando preocupações semelhantes sobre proteção de mercados internos.
O que está em jogo
O acordo UE-Mercosul, em negociação há mais de duas décadas, busca reduzir tarifas e barreiras comerciais entre a Europa e o bloco sul-americano, que inclui Mercosul, composto por países como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com o objetivo de criar uma das maiores áreas de comércio livre do mundo.
Repercussões
A oposição francesa representa um desafio diplomático para o presidente francês e para a Comissão Europeia, que defendem o tratado como forma de fortalecer a competitividade global e diversificar relações comerciais.
Macron, porém, afirmou que a batalha política continua, e que mesmo com o voto contra, seguirá lutando por salvaguardas e pela implementação efetiva de promessas de proteção feitas pela Comissão Europeia.
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