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Terça-feira, 02 de Junho 2026
Direitos Humanos

Marcha do Orgulho Trans em São Paulo é cancelada em 2026

Instituto SSEX BBOX anuncia que não seguirá na organização do evento anual.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Marcha do Orgulho Trans em São Paulo é cancelada em 2026
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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A tradicional Marcha do Orgulho Trans, evento que acontece anualmente desde 2018 no centro de São Paulo, foi cancelada para o ano de 2026. A decisão foi comunicada pelo Instituto SSEX BBOX, que até então era o responsável pela organização da manifestação.

Em nota oficial divulgada na última sexta-feira (31), o Instituto SSEX BBOX declarou que não continuará na organização da Marcha do Orgulho Trans. A instituição justificou a decisão como um "momento decisivo de transformação", citando a evolução do cenário da comunidade trans e as mudanças nas necessidades e desejos tanto dela quanto do próprio instituto.

O evento, que tradicionalmente ocorria na mesma semana da Parada do Orgulho LGBT+, prevista para o próximo domingo (7), agora busca novos organizadores. O comunicado também informou que serão abertas inscrições para que outros grupos assumam a realização da marcha nos próximos anos.

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O SSEX BBOX ressaltou que, "se antes a Marcha ocupava um lugar central e impulsionador, hoje ela coexiste com diversos outros eventos liderados por pessoas trans, igualmente potentes na celebração da nossa comunidade em toda a sua diversidade".

Dificuldades com patrocínios

Na semana anterior à divulgação do cancelamento, Lyon Adryan Ror, fundador do SSEX BBOX, havia mencionado à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, as dificuldades financeiras enfrentadas pelo evento. Ele apontou para uma redução nos patrocínios de empresas norte-americanas a eventos LGBTQIA+ desde a posse de Donald Trump nos Estados Unidos.

"Esse ecossistema de investimento e patrocínio ligado às iniciativas LGBTQIA+ mudou consideravelmente nos últimos anos. Isso teve impacto direto em muitas organizações, projetos culturais e iniciativas independentes — e nós não somos diferentes", declarou Ror.

A redução de verbas de patrocinadores também afetou a Parada do Orgulho LGBT+ deste ano. Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), informou à Agência Brasil uma queda de 60% na receita com patrocinadores.

Essa diminuição impactou não apenas a organização da Parada, mas também as ações sociais e culturais desenvolvidas pela associação. "Se você observar, eu vou ter só dois patrocinadores na Parada, e já tivemos seis grandes empresas [patrocinando]. Eu sei que é um ano difícil, é um ano em que a gente vai ter Copa, é um ano político, mas essa redução já vem se desenhando há um tempo", explicou Pereira.

Apesar das dificuldades, a edição deste ano da Parada do Orgulho LGBT+ confirmou a presença de artistas como Gloria Groove, Pepita, Diego Martins e Melody. Alguns artistas anunciaram a renúncia de seus cachês para apoiar a manifestação.

Com o tema "30 Anos Parada SP: A Rua Convoca, a Urna Confirma", a Parada deste ano pretende promover uma reflexão sobre mobilização popular, participação política e a importância contínua das ruas como espaço democrático para cidadania, diversidade e visibilidade LGBT+.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
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