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Quinta-feira, 23 de Julho 2026
Saúde

Ministério da Saúde cria comitê para otimizar a negociação de preços de medicamentos no SUS

A iniciativa visa reduzir custos de aquisição e liberar orçamento para a incorporação de novas terapias de alto custo, como tratamentos para câncer e doenças autoimunes, modernizando a gestão.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Ministério da Saúde cria comitê para otimizar a negociação de preços de medicamentos no SUS
© Marcello Casal/Arquivo/Agência Brasil
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O Ministério da Saúde (MS) instituiu, nesta quinta-feira (23), um comitê permanente dedicado à negociação de preços de medicamentos a serem incorporados no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida estratégica visa garantir a aquisição de fármacos com custos mais vantajosos e, assim, otimizar o orçamento para a inclusão de novas e essenciais tecnologias na rede pública.

A principal meta do comitê é assegurar a compra de grandes volumes de medicamentos por valores mais competitivos. Essa economia é crucial para gerar uma margem orçamentária que permitirá ao SUS expandir seu rol de tratamentos, beneficiando milhares de pacientes em todo o país.

Especificamente, o Ministério da Saúde busca ampliar as possibilidades de incorporar terapias inovadoras e de alto custo, frequentemente utilizadas no tratamento de condições complexas como o câncer e doenças autoimunes. Essa abordagem visa oferecer acesso a tratamentos mais eficazes à população.

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Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, destacou a relevância da iniciativa. “Estamos modernizando a forma com a qual o Ministério da Saúde faz a negociação de preços”, afirmou.

Ela explicou que o objetivo é estabelecer “regras mais claras e garantias para o ministério obter um preço melhor e mais justo”. Isso permitirá que o orçamento remanescente seja direcionado para “outros investimentos, investimentos em outras tecnologias”, fortalecendo o sistema de saúde.

O acionamento do novo comitê de negociação será feito pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Este mecanismo garante uma coordenação eficiente entre as instâncias responsáveis pela avaliação e aquisição de fármacos.

A Conitec desempenha um papel fundamental nesse processo, sendo o órgão encarregado de recomendar e emitir a decisão final sobre a incorporação de novos medicamentos na rede pública. Sua atuação é vital para a qualidade e segurança dos tratamentos oferecidos pelo SUS.

Estratégia para medicamentos únicos e de alto custo

Uma das atribuições cruciais do comitê é intervir na aquisição de medicamentos exclusivos. Quando um fármaco é produzido por apenas um laboratório, impossibilitando a compra via licitação, o comitê poderá negociar diretamente para obter valores mais baixos e justos.

A força do SUS como um grande comprador é um fator decisivo nessa estratégia. Com um volume anual de aquisições que atinge R$ 31,3 bilhões em vacinas, medicamentos e insumos, existe uma considerável margem para a negociação de preços favoráveis ao sistema público.

Além disso, o comitê terá autonomia para agir em situações onde um medicamento já incorporado ao SUS experimenta um aumento expressivo de preço. Nestes casos, a Secretaria responsável pela demanda dentro do Ministério da Saúde será a instância encarregada de acionar o grupo de negociação.

Este modelo de negociação de preços de medicamentos não é inédito, sendo adotado com sucesso em mais de 40 países. Nações como Canadá, Inglaterra, Austrália e França já implementam abordagens semelhantes para otimizar seus gastos em saúde pública.

A ideia de criar um comitê permanente para essa finalidade já era discutida há algum tempo dentro do Ministério da Saúde. Contudo, somente agora essa proposta se concretizou, tornando-se uma política oficial da pasta para a gestão de custos.

Com caráter técnico e permanente, o comitê representa um avanço na gestão farmacêutica do SUS. A expectativa do Ministério da Saúde é ambiciosa, projetando a obtenção de descontos superiores a 50% nas negociações de medicamentos novos ou recém-incorporados, o que representaria uma economia substancial.

FONTE/CRÉDITOS: Marcelo Brandão – repórter da Agência Brasil
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